Rafting: trabalho em equipe, segurança, responsabilidade e liderança experiente!
| Figura 1. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1021266870457773&set=a.180425394541929 |
Por Fernando
Garrido
Rafting:
experiências personalizadas, profissionalização e gestão de negócios!
Quando
o esporte apareceu por aqui!
Os primeiros botes de rafting foram trazidos
para o Brasil por Johny Klemperer, da empresa TY-Y Expedições, em 1984, e logo
usados nas águas dos rios Paraíba do Sul e Paraibuna, em Três Rios (RJ).
Em rápido
crescimento, o esporte popularizou-se com o envolvimento de empresas de turismo
de aventura. Sua oferta como lazer aos turistas estreitava o contato entre o homem
e a natureza.
O
rafting desenvolveu-se favorecido pela extensa quantidade de rios com
corredeiras no eixo Rio-São Paulo, contribuindo para a organização de eventos como
os Campeonatos Estaduais, que surgiram no início deste século.
A criação
da Canoar Rafting & Expedições (SP),
fundada por José Roberto Pupo em 1988, ampliou as oportunidades de se oferecer
o esporte como lazer e negócio nos setores de turismo de aventura, educação
esportiva e ambiental e atendimento corporativo. Por essa época, a empresa
realizou a primeira descida no Rio Juquiá, em Juquitiba (SP).
| Figura 2. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1239030202905466&set=pb.100057508666037.-2207520000&locale=pt_BR |
A partir de 1990, a Canoar empreendeu uma inovação
no rafting brasileiro ao introduzir a modalidade com remos individuais. A
novidade foi batizada no Rio Juquiá.
Mais empresas passavam a oferecer esportes
radicais, de aventura e natureza, especialmente o rafting, ampliando a parceria
entre o turismo e o esporte no meio ambiente. A Canoar, entre outras, passava a
atuar também como promotora de eventos, treinamento empresarial e formação de
instrutores.
O rafting brasileiro experimentava, assim, um
salto de qualidade em uma atividade que, até então, era praticada de forma
amadora.
O emprego de novos equipamentos foi essencial para essa evolução, assim como o maior conhecimento técnico do esporte,
proveniente do intercâmbio de atletas como José Roberto Pupo, Luis Augusto
Merkle e Massimo Desiati com empresas de rafting norte-americanas e europeias em
competições internacionais.
A partir de meados da década de 1990, a expansão do
esporte no mercado brasileiro consolidava-se com o surgimento de empresas
localizadas principalmente em Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.
A essa altura, as equipes de rafting começavam a
conquistar rios de maiores graus de dificuldade, entre eles o Rio do Peixe, um
local popular com corredeiras de Classe II a IV.
As
disputas de rafting como esporte de rendimento apareceram em 1995, com a
organização oficial do 1º Campeonato Brasileiro de Rafting, realizado no Rio
Tibagi (PR).
Dois anos
depois, realizaram-se os Jogos Mundiais da Natureza. Criado pelo governo do
Paraná, o evento – de esportes radicais e aventura – contou com a presença de
mais de 50 países e 800 atletas e deu grande destaque aos locais de belezas
naturais do país. Na ocasião, a equipe brasileira conquistou a medalha de
bronze.
A presença
feminina no rafting, reconhecida e valorizada, despertava atenção pelos
resultados alcançados com Roberta Borsari, primeira mulher a competir no
esporte. A atleta tornou-se tricampeã brasileira entre 1997 e 1999.
| Figura 3. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1403424476466037&set=pb.100057508666037.-2207520000&locale=pt_BR |
O
rafting brasileiro estreou sua participação no exterior ainda em 1999, quando
participou do Campeonato Mundial de Rafting da África do Sul, obtendo o sétimo
lugar. Nesse ano, ocorreu também a conquista de corredeiras
desafiadoras no Rio Macaé.
A chegada deste século assistiu a um crescimento
exponencial da oferta do rafting nas vertentes da formação, do lazer e do
rendimento. Passeios comerciais de bote em descidas de rios começaram a se
expandir virtuosamente oferecidos em estados como Bahia, Mato Grosso, Minas
Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e
Tocantins.
A
presença do Brasil no Campeonato Mundial de Rafting ganhou destaque na
República Tcheca, em 2003. Na ocasião, a equipe brasileira Bozo D’Água, de
Brotas (SP), ficou com a medalha de bronze na categoria sprint paralelo.
No Campeonato Brasileiro, Heberson Teixeira sagrou-se tetracampeão na categoria
turismo.
Naquele mesmo
ano, a equipe Bozo D’Água alcançava novas conquistas com o primeiro lugar no
Campeonato Europeu, no Mundial de Sprint e no Extreme
Rafting Challenge (Desafio de Rafting Radical). No Campeonato Mundial de Inge-Coreia do Sul, realizado em 2007, a
Bozo D’água, com nove canoístas, tornou-se campeã mundial. A competição ocorreu
entre 27 de junho e 2 de julho de 2007, no Rio Naerinchon, Província de
Gangwon, em Seoul. Compunham a equipe: Claude Razel (técnico), Lucas Paulino da
Silva Core, Paulo Sergio Bertato Silveira, Fábio Ramos, Lourenção, André
Brandão, Antonio José Salvatti, Samuel Barbosa de Almeida, Rafael Ribeiro da
Cruz e Rafael Andrade.
No
transcurso deste século, a Bozo D’Água conquistou onze títulos mundiais representando
a Seleção Brasileira, os dois últimos em 2024 e 2025.
O
rafting tem-se desenvolvido por meio de grupos e equipes, sendo explorado por
agências de turismo e empresas promotoras de eventos como lazer.
| Figura 4. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1110295257767833&set=pb.100063621066815.-2207520000 |
No cenário
internacional, o rafting brasileiro é considerado referência mundial, com
reconhecimento sustentado sobre elementos como:
· a parceria com a Confederação
Brasileira de Canoagem (CBCa), que estimulou
o desenvolvimento do esporte desde os anos 1990;
· os resultados expressivos alcançados
durante as décadas deste século em eventos internacionais (Mundial e Pan-Americano)
por seleções brasileiras;
· os títulos mundiais obtidos pela
Seleção Brasileira de Rafting, representada pela equipe Bozo D’ Água;
· a organização de eventos internacionais
no país;
· a consolidação do esporte nas vertentes
da formação educacional e social, do rendimento e do lazer (turismo de aventura
e ecoturismo);
· o fortalecimento do rafting como lazer
e esporte da natureza, sob a influência da Abeta, criada em 2004;
· o desenvolvimento do esporte com base em investimento e incentivo nas
categorias de base, na busca incessante por patrocínio, na efetiva
profissionalização do rafting competitivo e na consolidação de equipes
brasileiras;
· o cumprimento de normas ABNT NBR 15331,
sistema de gestão de segurança, com equipe de condutores certificados pela Federação
Internacional de Rafting (IRF) e Rescue 3 International (resgate em águas
brancas);
· a criação da Associação Brasileira de
Rafting (ABR) em 2019, conferindo vida própria ao esporte;
· o fortalecimento do rafting como lazer
e esporte da natureza, ampliando sua visibilidade e proporcionando maior adesão
de praticantes;
· a utilização do rafting pelas redes
sociais, em especial o YouTube, expandindo informação e conhecimento com a
transmissão dos eventos em tempo real.
| Figura 5. Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1403425293132622&set=pb.100057508666037.-2207520000&type=3&locale=pt_BR |
O décimo e decimo primeiro títulos mundiais da Bozo D'água, alcançados em 2024 e 2025 pela Seleção Brasileira de Rafting consolidaram a liderança do país como uma das maiores potências do esporte no mundo. Os feitos ocorreram nos Campeonatos Mundiais realizados na Bósnia e Herzegovina, quando dominou as provas de sprint, slalom, RX e downriver e em Aluminé, Argentina.
O Brasil possui uma diversidade de destinos de destaque à prática do rafting em cidades turísticas esportivas espalhadas por estados como Amazonas (Presidente Figueiredo/Rio Urubuí); Bahia (Itacaré/Rio de Contas); Mato Grosso (Jaciara/ Rio Tenente Amaral); Mato Grosso do Sul (Bonito/Rio Formoso); Minas Gerais (Extrema/Rio Jaguari); Paraná (Antonina/Rio Cachoeira), (Foz do Iguaçu/Rio Iguaçu); Rio Grande do Sul (Três Coroas/Rio Paranhana); Rio de Janeiro (Três Rios/Rio Paraibuna); Santa Catarina (Santo Amaro da Imperatriz/Rio Cubatão); São Paulo (Brotas/Rio Jacaré Pepira), ( Socorro/Rio do Peixe), (São Luiz do Paraitinga/Rio Paraibuna) e Tocantins (Jalapão/Rio do Sono).
| Figura 6. Fonte: https://parquemonjolinho.com.br/atividades-rafting |
Como
o esporte acontece!
É
a descida de rios encachoeirados ou corredeiras por meio de botes infláveis,
denominados rafts. Os integrantes da embarcação
remam sob o comando de um instrutor, timoneiro ou monitor, responsável pela
orientação do grupo durante o percurso.
O rafting envolve descidas técnicas em rios
classificados de I a VI (fácil a extremo).
A prática do rafting implica conceitos muito
importantes no relacionamento entre as pessoas, como solidariedade, união,
liderança, trabalho em equipe e percepção sensorial!
O esporte também pode ser praticado em mares, rios
e lagos, além de locais artificiais como parques temáticos.
As embarcações são produzidas com materiais de
grande resistência que absorvem impactos ao longo do percurso.
O esporte requer o uso de elementos de segurança
como capacetes, salva--vidas e roupas especiais resistentes a choques, além de
cintas nos pés. Também é necessário saber nadar.
Os praticantes devem ser preparados para as
manobras necessárias durante o percurso.
Um bote de rafting geralmente recebe entre 4 e
12 pessoas, dependendo do tamanho da embarcação. Comumente, o bote comporta
de 5 a 8 pessoas. Uma delas é o timoneiro ou monitor, que permanece na
popa para dirigi-la.
O Brasil se destaca nas categorias R4 (4
remadores) e R6 (6 remadores), em Mundiais e Pan-Americanos.
O rafting tem grande aceitação como esporte de lazer
no ecoturismo. Como esporte de desempenho, obedece a regras precisas de acordo
com as modalidades estabelecidas.
| Figura 7. Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1377819495693202&set=pb.100057508666037.-2207520000&type=3&locale=pt_BR |
As modalidades de competição de Rafting são:
·
Provas de Velocidade: realizadas
em percurso contra o relógio.
·
Slalom: realizadas com percursos entre
balizas móveis posicionadas no rio. A competição envolve o menor número de
toques nas balizas no menor tempo de percurso.
·
Sprint Paralelo: realizadas
com duas equipes de cada vez, em cada bateria, em corredeiras. A cada bateria,
é classificado um barco. Chega-se ao vencedor da competição, ao final, por meio
de sistema eliminatório simples.
·
Descenso ou Descida: prova
de velocidade em que os competidores, após uma saída conjunta, passam por uma
longa descida, de mais de 20 quilômetros. É a prova mais conhecida do rafting.
·
No rafting, existem competições que consistem em soma
de pontuação e diferentes pesos, como a de quatro provas (velocidade,
slalom, sprint paralelo e descenso), sendo que a prova de descenso
ou descida sempre vale mais que as outras.
·
Há ainda uma modalidade na qual apenas o instrutor
rema: a War Boat. Essa modalidade é utilizada principalmente em esquemas
de turismo.
·
Os percursos são classificados por níveis de
dificuldade, o que facilita as suas utilizações.
| Figura 8. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=622580133204524&set=pcb.622580209871183&locale=pt_BR |
Vamos contar algo mais para você!
A
Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), em parceria com o Comitê Brasileiro
de Rafting (CBR) e em conformidade com as regras da Federação Internacional de
Rafting (IFR), organiza o esporte sob a orientação do alto rendimento e, ainda,
convoca e divulga os atletas que representarão o Brasil no Campeonato Mundial.
Além disso, estabelece o calendário esportivo e realiza competições de caráter
nacional.
O CBR
coordena as etapas do Campeonato Brasileiro, convoca seleções para campeonatos
mundiais e promove a modalidade R4.
A Associação Brasileira de
Rafting (ABR), criada em 13 de junho de 1989, é uma organização esportiva que
atua no rafting voltado ao turismo esportivo e competições com fins comerciais.
O rafting é
uma modalidade da corrente dos esportes radicais, de aventura e da natureza,
segundo Tubino et al. (2007).
A ABR tem,
como missão, a gestão, a organização e o cuidado com os atletas e competições
da modalidade em campeonatos nacionais de rafting R4.
Em âmbito internacional, o esporte é dirigido pela
IRF.
A Associação Brasileira de
Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) também atua no desenvolvimento do
rafting como lazer. Segundo a associação, a atividade é categorizada em classes
de dificuldade, que variam do I ao VI, conforme os obstáculos, o volume de água
e a região onde se encontra o rio. No turismo de aventura, a atividade
geralmente é realizada até classe IV, sendo as demais propícias apenas para
profissionais.
| Figura 9. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/raft-adventure-park/ |
A Abeta é uma organização
empresarial nos segmentos de ecoturismo, turismo de aventura e natureza. Sua
missão é tornar essas atividades viáveis econômica, social e ambientalmente,
visando, principalmente, à satisfação de seus clientes. Entre os seus
associados, estão operadoras, meios de hospedagem, e empresas de treinamento em
atividades de aventura e natureza.
A Abeta adota, majoritariamente, no
rafting, as normas técnicas da ABNT, que são baseadas em padrões
internacionais. Ela segue a orientação de normas ABNT NBR ISO e ABNT NBR (ver
site).
As
normas específicas, como a ABNT
NBR 16708:2018,
estabelecem os procedimentos e requisitos mínimos de segurança para o rafting
comercial no Brasil, alinhados com práticas de gestão de segurança no turismo
de aventura. O país também utiliza a norma ABNT NBR
ISO 21101, adaptando padrões internacionais de segurança para o contexto
brasileiro.
A classificação de corredeiras e padrões de guias
no Brasil segue as normas da IRF,
que classifica as
corredeiras em 6 classes padrão mundial.
Em síntese,
a prática do rafting segue um arcabouço técnico nacional (ABNT) em conformidade
com as exigências internacionais (IRF/ISO).
| Figura 10. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1474602848041392&set=pb.100064750714551.-2207520000 |
Referências
Bibliográficas
Abeta. Manual
de Boas práticas de Rafting https://abeta.tur.br/wp-content/uploads/2024/10/manual-rafting.pdf.
Brotas. Rafting Campeão Mundial em Brotas, SP. Disponível em: https://brotas.com.br/mais-sobre-brotas/equipes-de-rafting/Acesso
em: 11 mai. 2026.
Confederação Brasileira de Canoagem. História. www.canoagem.org.br/pagina/index/nome/historia/id/129.
DA COSTA, L. P. (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2004.
ODDO, Luiz Cláudio de Souza.
Comunicação Pessoal. Rio de Janeiro. 1992.
TUBINO, M. J. G.; GARRIDO, F. A. C.; TUBINO, F. M. Dicionário Enciclopédico Tubino do Esporte. Editora Senac: São Paulo. 2007.
Tudo Sobre o Rafting. História do Rafting. https:// tudosobreorafting.blogspot.com/p/historia-do-rafting.html. Acesso em: 06 ago. 2018.


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