Canoagem/Canoeing: um esporte em ciclo virtuoso de crescimento no país
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| Foto: Danilo Borges/RededoEsporte |
Por Renata Aparecida Corteze Esteves
Capítulo 1 – O histórico de
participações da canoagem brasileira em Olimpíadas, Campeonatos Mundiais, Jogos
Pan-Americanos e Sul-Americanos
Entre os esportes náuticos, a
canoagem brasileira vem conquistando, com o passar dos anos, uma posição de
destaque em diversas competições nas modalidades canoagem velocidade, canoagem
slalom e paracanoagem.
A primeira participação da
delegação brasileira de canoagem ocorreu nos Jogos Olímpicos de Barcelona
(1992), nas modalidades canoagem velocidade kayak, representada pelos
atletas Sebastian Cuattrin, Álvaro Koslowski e Jefferson Lacerda, e canoagem
slalom, representada pelo atleta Gustavo Selbach.
Em 1994, o técnico polonês Zdsilaw
Szubski passou a treinar Sebastian Cuattrin e a seleção brasileira de canoagem
velocidade em Londrina.
Nos Jogos Olímpicos de Atlanta
(1996), o Brasil participou de uma final olímpica na canoagem velocidade, com
Sebastian Cuattrin conquistando um oitavo lugar na prova K1 1000 metros
masculino (kayak individual), e a canoagem slalom teve a participação do atleta
Gustavo Selbach.
Em 1999, o Clube de Regatas
Vasco da Gama passou a apoiar a equipe brasileira de canoagem velocidade,
comandada pelo técnico Zdsilaw Szubski,
passando a treinar na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e a equipe de
base, treinada pelo técnico especialista em canoagem Gustavo G. Wesgueber, na
Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro.
Nos Jogos Pan-Americanos de
Winnipeg (1999), a canoagem brasileira se destacou com os resultados dos
atletas Sebastian Cuattrin – que conquistou duas medalhas de prata nas provas
K1 1000 metros masculino e K2 1000 metros e mais duas de bronze nas provas K2 500 metros e K4 1000 metros
masculino – e Guto Campos, que ganhou uma medalha de prata na K2 1000 metros
masculino e três de bronze nas provas K1 500 metros masculino, K2 500 metros e
K4 1000 metros.
Em 2000, na 1ª Etapa da Copa do
Mundo de Canoagem Velocidade, em Curitiba, Paraná, a equipe brasileira ganhou
seis medalhas, sendo duas de ouro na prova K4 500 metros masculino júnior e nos
1000 metros, com os atletas Fábio
Demarchi, Deivid Pinheiro, Marcos de Almeida e Edson da Silva, duas de ouro na
K2 500 metros masculino júnior e nos 1000 metros, com Fábio Demarchi e Deivid
Pinheiro, e duas de ouro na K1 500 metros masculino júnior e nos 1000 metros,
com Fábio Demarchi.
No mesmo ano, no Campeonato
Pan-Americano de Canoagem Velocidade, em Nova York, EUA, o Brasil conquistou
quatro medalhas com Fábio Demarchi, sendo duas de ouro nas provas K1 500 metros
masculino e K2 1000 metros masculino, com o atleta Deivid Pinheiro, e mais duas
medalhas de prata nas provas K2 500 metros masculino, com o atleta Deivid
Pinheiro, e K1 1000 metros.
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| Divulgação/Comitê Olímpico Brasileiro |
Ainda em 2000, no Campeonato
Sul-Americano de Canoagem Velocidade realizado em Curitiba, a equipe brasileira
conquistou cinco medalhas de ouro no barco K2, com Fábio Demarchi e Deivid
Pinheiro nas provas 500 metros masculino júnior e nos 1000 metros; no K1, com o
atleta Fábio Demarchi na prova 500 metros masculino júnior e nos 1000 metros, e
uma medalha de ouro na prova K4 1000 metros masculino júnior, com Edson da Silva, Deivid Pinheiro, Ricardo
Mamede e Fábio Demarchi.
Nos Jogos Olímpicos de Sydney
(2000), os atletas Roger Caumo, Sebastian Cuattrin e Carlos Augusto Campos
representaram o Brasil na canoagem velocidade, e o atleta Gustavo Selbach foi o
representante na canoagem slalom.
Nos 7º Jogos Sul-Americanos de Canoagem
Velocidade, em Curitiba, em 2002, a canoagem brasileira conquistou cinco
medalhas, sendo três de ouro nas provas K4 200 metros masculino e K4 1000
metros, com Carlos Augusto Campos, Sebastian Cuattrin, Fábio Demarchi e
Sebastian Szubski, que ainda ganharam uma prata na K4 500 metros, e no barco K1
200 metros masculino, com Fábio Demarchi. Finalizando, ganhamos
mais uma medalha de prata na prova K2 500 metros masculino, com Fábio Demarchi
e Carlos Augusto Campos.
Nos Jogos Pan Americanos de
Santo Domingo, em 2003, Sebastian Cuattrin ganhou três medalhas de prata nas
provas K1 1000 metros masculino, K1 500 metros e K4 1000 metros. Carlos Augusto
Campos ganhou uma medalha de prata na K4 1000 metros e uma de ouro na K2 500
metros, com o atleta Fábio Demarchi.
Nos Jogos Olímpicos de Atenas
(2004), Sebastian Cuattrin e Sebastian Szubski foram os representantes do país
na canoagem velocidade. Após a Olimpíada, encerraram-se os trabalhos do
treinador Zdsilaw Szubski. Em 2006, a seleção brasileira passou a ser comandada
pelo técnico húngaro Akos.
Nos Jogos Pan-Americanos de
2007, no Rio de Janeiro, a canoagem velocidade se fortaleceu na prova K4 1000
metros masculino, conquistando uma medalha de ouro com os atletas Sebastian
Cuattrin, Carlos Augusto Campos, Roberto Maehler e Edson da Silva. Por sua vez,
Sebastian Cuattrin conquistou uma medalha de prata na prova K1 1000 metros
masculino.
Já nos Jogos Olímpicos de
Pequim (2008), o Brasil teve sua estreia na modalidade canoagem velocidade
C1 (canoa individual), com o atleta Nivalter Santos. A canoagem slalom
teve Poliana de Paula como a primeira atleta olímpica feminina a
representar o país na modalidade.
Em 2009, o técnico e atleta olímpico
Álvaro Koslowski assumiu o comando da seleção brasileira.
Em 2010, nos Jogos
Sul-Americanos de Canoagem Velocidade, o barco K4 feminino, composto pelas
atletas Ariela Pinto, Naiane Pereira, Daniela Alvarez e Juliana Domingos,
conquistou uma medalha de ouro na prova 200 metros, garantindo uma vaga para
disputar o Pan do México, e o atleta Isaquias Queiroz iniciou sua participação
em competições internacionais, representando o Brasil nos Jogos Olímpicos da
Juventude, na modalidade canoagem velocidade C1 masculino.
O técnico húngaro Bako assumia
os treinos da seleção brasileira em 2011. Por essa época, Isaquias conquistava
seu primeiro Campeonato Mundial Júnior em Brandenburg, Alemanha, na prova C1
200 metros masculino, além de uma prata nos 500 metros.
Nos Jogos Pan-Americanos do
México (2011), a canoagem slalom se destacou conquistando quatro medalhas: uma
de prata e três de bronze. Os atletas Anderson Weber e Jean Pereira
conquistaram as uma das primeiras medalhas internacionais na modalidade, uma
prata na prova C2 masculino. Já a canoagem velocidade conquistou uma medalha de
bronze no barco K4, composto pelos atletas Roberto Maehler, Gilvan Ribeiro,
Givago Ribeiro e Celso Dias, e uma medalha de prata na prova C2 1000 metros
masculino (canoa dupla), com os atletas Erlon de Souza e Ronilson Oliveira, que
posteriormente representariam o país nos Jogos Olímpicos de Londres (2012).
Ainda em 2011, o atleta da
paracanoagem velocidade Fernando Fernandes conquistou o ouro na prova K1 200
metros masculino, garantindo o bicampeonato mundial.
Em 2012, a canoagem brasileira teve
grandes destaques com muitas vitórias, começando pelo Campeonato Sul-Americano
de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, disputado em Ciudad de Tigre, na região
de Buenos Aires, garantindo 19 medalhas de ouro para a equipe brasileira no
masculino e feminino. Na canoagem slalom, a atleta Ana Sátila se classificou
para as Olimpíadas de Londres. No Campeonato Internacional de Canoagem
Velocidade de Mantova, na Itália, Erlon de Souza e Ronilson Oliveira
conquistaram duas medalhas de ouro nas provas C2 1000 metros masculino e C2 200
metros, além do ouro conquistado na mesma prova, no Campeonato Pan-Americano de
Canoagem, que ocorreu no Rio de Janeiro. Nesse campeonato, a equipe brasileira conquistou
muitas medalhas, tornando evidente que um caminho de muitas vitórias se
iniciava ali.
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| Divulgação/CBCa/paracanoagem |
Nesse mesmo ano, Isaquias
Queiroz conquistou, no Campeonato Mundial Júnior, duas medalhas de ouro na
prova C1 200 metros masculino e nos 500 metros. O atleta Nivalter Santos
conquistou o ouro na prova C1 200 metros masculino, e a atleta Ediléia Matos
dos Reis garantiu o ouro para o Brasil na K1 200 metros feminino. Na
paracanoagem, Fernando Fernandes garantiu dois títulos pan-americanos na prova
K1 200 metros TA masculino e nos 200 metros e confirmou o seu favoritismo conquistando
mais um título, agora, no Mundial de Ponzan, na Polônia.
Nos Jogos Sul-Americanos de Slalom,
em Puccón, Chile, a equipe brasileira conquistou cinco medalhas – três de ouro,
uma de prata e uma de bronze – e teve como destaques os atletas Fábio Scchena Dias
Rodrigues, na prova K1 masculino sênior, Renan Henrique Soares, na K1 masculino
júnior, e Felipe Borges da Silva, na C1 masculino júnior. Todos conquistaram o
ouro.
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| CBCa /Maratona |
Em 2013, Isaquias Queiroz continuou a se destacar, e o empurrão determinante em sua carreira ocorreu no âmbito “Brasil Medalhas”, quando o atleta começou a treinar com o técnico espanhol Jesus Morlán, reconhecido no meio esportivo por tornar os atletas em medalhistas olímpicos. Sua primeira participação foi no Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade de Duisburg, na Alemanha, onde conquistou uma medalha de ouro na prova C1 500 metros masculino e uma de bronze nos 1000 metros. Nesse ano, o técnico Rui Fernandes passou a comandar a seleção brasileira.
Ainda nesse mesmo ano, Erlon de
Souza e Ronilson Oliveira se destacaram em duas importantes competições: na 3ª
Etapa da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade, na Polônia, onde conquistaram um
ouro e uma prata, e no Campeonato Sul-Americano de Canoagem Velocidade e Paracanoagem,
que ocorreu no Chile, onde ganharam um ouro.
Nesse ano, a paracanoagem
conquistou resultados inéditos no Campeonato Mundial da Alemanha, com Fernando
Fernandes se tornando tetracampeão na prova K1 A masculino, Caio Ribeiro
conquistando o ouro na prova V1 masculino LTA e Tâmara Oliveira, o bronze na
prova V1 Feminino TA.
Enquanto isso, a canoagem
slalom teve sua maior conquista no Mundial Júnior de Liptovsky Mikulas, na
Eslováquia, com Ana Sátila conquistando o bronze na prova C1 feminino. Posteriormente,
no mesmo ano, depois de ter conquistado o título brasileiro no K1 e no C1
feminino sênior, que ocorreu no Canal de Itaipu, em Foz do Iguaçu, a atleta
ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do México. Já os atletas
Anderson Oliveira e Charles Correia se destacaram conquistando o ouro no
Pan-Americano de Canoagem Slalom. Nesse mesmo ano, no Campeonato Sul-Americano
de Canoagem Slalom, o destaque ficou com o atleta Fábio Scchena, que conquistou
a medalha de ouro na prova K1 masculino sênior.
A canoagem slalom teve destaque
na conquista da medalha de ouro no Campeonato Mundial de Slalom em 2014, com
Ana Sátila, na prova K1 feminino, apresentando um dos melhores resultados desde
1992. Já a canoagem velocidade canoa conquistou quatro medalhas na Copa do
Mundo de Canoagem Velocidade disputada em Milão, na Itália, com Isaquias
Queiroz conquistando uma medalha de prata na prova C1 1000 metros masculino, um
ouro nos 500 metros e um bronze nos 5000 metros. Já os atletas Erlon de Souza e
Ronilson Oliveira ganharam uma prata na prova C2 200 metros masculino.
Posteriormente, no Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade em Moscou (2014),
Isaquias Queiroz conquistou um ouro na prova C1 500 metros masculino e um
bronze na prova C2 200 metros, com a sua dupla Erlon de Souza.
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| RTEmagicC/Portal Amazonas/Divulgação |
Em 2015, a canoagem brasileira
teve novamente destaque com muitas vitórias alcançadas. A equipe brasileira de
canoagem slalom se destacou no Campeonato Mundial de Canoagem Slalom, em Foz do
Iguaçu, com a conquista de uma medalha de prata da atleta Ana Sátila na prova
K1 individual feminino, uma de bronze dos atletas Charles Correa e Anderson
Oliveira na prova C2 masculino e uma de bronze na categoria caiaque
individual por equipes.
Não foi diferente na canoagem
velocidade, quando, no Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade e Paracanoagem,
em Milão, Isaquias Queiroz e Erlon de Souza ganharam uma medalha de ouro na
prova C2 1000 metros masculino e Isaquias conquistou uma medalha de bronze na
prova C1 200 metros. Já a paracanoagem ganhou sete medalhas. Com esses
resultados, a equipe brasileira assegurou duas vagas olímpicas e outras duas
paraolímpicas.
Nos Jogos Pan-Americanos de
Toronto (2015), a canoagem, dando sequência às vitórias, foi uma das
modalidades que mais trouxe medalhas para o país, contribuindo de forma efetiva
para o terceiro lugar do Brasil na classificação geral do quadro de medalhas. Foram
14 medalhas no total, sendo nove na canoagem velocidade, com destaque para Isaquias
Queiroz, que conquistou duas medalhas de ouro na prova C1 1000 metros masculino
e nos 200 metros e uma de prata na C2 1000 metros masculino. Cinco medalhas
foram para a canoagem slalom. O Brasil conquistou também uma medalha de prata
com o barco K4 masculino, na prova 1000 metros, com Roberto Maehler, Gilvan
Ribeiro, Vagner Souto Júnior e Celso Dias, e teve a participação do K4 feminino
na prova 500 metros, com uma das integrantes, a atleta Ariela Pinto.
Nas competições preparatórias
visando aos Jogos Olímpicos Rio-2016, estava o Campeonato Mundial de Paracanoagem,
em Duisburg, Alemanha, onde a equipe brasileira conquistou quatro medalhas,
sendo duas de ouro, uma de prata e uma de bronze, assegurando três vagas nos
Jogos Olímpicos Rio-2016. No Campeonato Pan-Americano, nos EUA, a canoagem
ganhou 19 medalhas, garantindo duas vagas olímpicas, uma no K1 200 metros
masculino, com Edson Silva, e a outra no K2, com Edson Silva e Gilvan Ribeiro.
A canoagem brasileira teve a
maior participação da história dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, com 18
atletas. A canoagem slalom disputou uma final olímpica na prova K1,
conquistando o sexto lugar. Na paracanoagem, Caio Ribeiro, no KL3, conquistou
uma medalha de bronze, e, na canoagem velocidade, Isaquias Queiroz ganhou três
medalhas: duas de prata nas provas C1 1000 metros masculino e C2 1000 metros,
com o Erlon de Souza, e um bronze no C1 200 metros. No total, a canoagem ganhou
quatro medalhas.
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| Foto: Divulgação FCaMS |
Após esses resultados, os
holofotes se voltaram para Isaquias, que se tornou o primeiro atleta brasileiro
a ganhar três medalhas em uma mesma Olimpíada e passou a ser atleta do Clube de
Regatas do Flamengo. Dando sequência às vitórias, Isaquias, no Campeonato
Mundial de Canoagem Velocidade de Racice (2017), conquistou um bronze na prova
C1 1000 metros masculino.
A equipe de canoagem brasileira
passou a ser comandada pelo técnico Tiago Borges em 2018. Nesse ano, no
Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade de Montemor-o-Velho, Isaquias ganhou
três medalhas, duas de ouro nas provas C1 500 metros masculino e C2 500 metros
masculino, com o atleta Erlon de Souza, e uma de bronze na C1 1000 metros
masculino.
Ainda em 2018, nos Jogos
Sul-Americanos da Bolívia, o barco K4 trouxe uma medalha de ouro para a
canoagem velocidade brasileira, com os atletas Roberto Maehler, Edson Silva,
Pedro Costa e Vagner Souto Júnior.
Em 2019, nos Jogos
Pan-Americanos de Lima, a canoagem brasileira mais uma vez se destacou com o
atleta Isaquias Queiroz, que ganhou o primeiro lugar na prova C1 1000 metros
masculino, e com o barco K4, que obteve um sexto lugar com os atletas Roberto
Maehler, Vagner Souto Júnior, Edson Silva e Patrick Eleieser. No Campeonato
Mundial de Canoagem Velocidade, em Szeged, Isaquias, dando sequência ao
favoritismo, conquistou um ouro na prova C1 1000 metros masculino e um bronze na
C2 1000 metros masculino, com o companheiro Erlon de Souza, garantindo, assim,
sua vaga nas Olimpíadas de Pequim.
Capítulo 2 – O Prolim (Programa Olímpico da
Marinha) e o BNDES apoiam a canoagem no Brasil
As conquistas da seleção brasileira de canoagem se deram não somente pelos treinamentos, talento e suporte técnico mas também pelo apoio da Marinha do Brasil (MB), por meio do Prolim, Programa Olímpico da Marinha, e do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que se tornou o patrocinador oficial do esporte.
O Prolim teve início em 2008,
quando atletas de alto rendimento se incorporaram à MB como militares
temporários (RM2) para representar o Brasil nos 5° Jogos Mundiais Militares do Cism
Rio 2011 e, posteriormente, nos Jogos Olímpicos de Londres (2012). O sucesso
foi expressivo, e o então comandante da Marinha e almirante de esquadra, Júlio
Soares de Moura Neto, numa iniciativa pioneira, tornou permanente o Prolim.
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| CBCa/BNDES (Divulgação) |
O próximo objetivo do programa
seria a preparação dos atletas para integrar as equipes militares brasileiras nos
6° jogos Mundiais Militares, organizados pelo Conselho Internacional do Esporte
Militar (Cism), realizados na Coréia do Sul em 2015. Os resultados dos atletas
de alto rendimento foram tão bons que o Prolim continuou a crescer,
proporcionando aos atletas com possibilidade de resultados olímpicos o apoio
necessário para o crescimento no esporte.
O programa tem a supervisão do
Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, que dispõe dos meios e estruturas
da Comissão de Desporto da Marinha (CDM) e do Centro de Educação Física
Almirante Adalberto Nunes (Cefan), que já incorporou, desde 2008, cerca de 200
atletas, contemplando 23 modalidades, que passam pela formação militar-naval e
incorporação à Marinha, visando a apoiá-los técnica e financeiramente como
atletas de alto rendimento da MB.
Esse programa se justifica na
possibilidade de utilizar os recursos humanos, materiais e instalações
esportivas existentes na MB, não comprometendo o cumprimento da missão da
força, na importância de contribuir, ao longo da história do desporto nacional,
para a formação e preparação de atletas de alto rendimento, no apoio social que
se faz presente por meio de remuneração mensal, na disponibilização de uma equipe multidisciplinar e no incentivo ao
desenvolvimento de valores morais.
No processo de inclusão social mediante
projetos de base, contribui também oferecendo aos jovens de baixa renda o
acesso à prática esportiva de qualidade, o seu desenvolvimento e,
consequentemente, a revelação de novos talentos, como também a incorporação na
força ao completarem a idade mínima.
O programa conta também com
parcerias e a ligação entre autoridades do setor público e/ou privado
envolvidos com o esporte para arrecadar recursos financeiros, contribuindo para
a manutenção das atividades relacionadas ao pessoal e a instalações esportivas.
Esse trabalho de apoio ao
atleta e ao desenvolvimento do desporto de alto rendimento contribui para a
projeção positiva da imagem da MB nos cenários desportivos nacional e
internacional.
O apoio não veio só por meio da
Marinha. Em 2011, o esporte conseguiu um apoio junto ao BNDES, que contatou
operação de patrocínio no valor de até 2 milhões de reais para a realização do
projeto desportivo e equipe permanente de slalom em Foz do Iguaçu, tornando-se
o patrocinador oficial da canoagem brasileira.
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| CBCa/BNDES (Divulgação) |
Em 2012, o BNDES aprovou a
concessão de patrocínio de 3,5 milhões de reais para a implantação do Centro de
Treinamento de Canoagem em São Paulo. Nesse ano também, patrocinou o Campeonato
Pan-Americano de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, na Lagoa Rodrigo de
Freitas.
Em 2014, com o apoio de 2
milhões de reais do BNDES, é criado o primeiro Centro de Treinamento da Paracanoagem
em São Paulo, com o auxílio do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de
São Paulo (Cepeusp), disponibilizando uma equipe multidisciplinar para melhorar
a performance dos atletas.
Esse apoio foi renovado em 2015,
estendendo-se ao alto rendimento das três modalidades olímpicas via projetos de
equipe permanente, participação dos atletas em competições internacionais e
somando o valor de quase 22 milhões de reais no ano, rumo às Olimpíadas
Rio-2016. Entre os atletas revelação da paracanoagem, estão Fernando Rufino e
Luiz Carlos Cardoso.
Em 2016, o apoio é renovado
para as equipes permanentes da canoagem slalom em Foz do Iguaçu e da canoagem
velocidade em Curitiba.
Capítulo 3 – A canoagem na Marinha do
Brasil
A canoagem também está presente na Marinha do Brasil (MB), com a modalidade canoagem oceânica, caiaques e canoa sendo representada pelas equipes da Escola Naval (EN) e do Colégio Naval (CN) e a modalidade lifesaving, pela equipe do Cefan.
Essas equipes participam das
etapas dos Circuitos Brasileiros de Canoagem Oceânica e das etapas do Circuito
Internacional da modalidade lifesaving, apresentando resultados
expressivos e colocando em destaque a MB. A EN e o CN contam com a maior
delegação esportiva na canoagem oceânica, que é composta por alunos e aspirantes
a futuros oficiais da MB.
A EN, por sua vez, organiza e
promove a maior competição de canoagem oceânica do Brasil, a Meia-Maratona de Canoagem,
atrelada à Regata Escola Naval, que esse ano está em sua 73ª edição e conta com
um grande número de atletas participantes, vindos de todo o Brasil. Organiza
também a competição Raid Naval, composta por diversas modalidades, tendo como
uma delas a canoagem oceânica em dupla.
O CN também realiza sua
competição de canoagem oceânica tradicionalmente no seu aniversário. Ambas as competições
estreitam e fortalecem os laços marinheiros entre os atletas das Forças Armadas
e a comunidade esportiva da canoagem.
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| Regata de Canoagem Colégio Naval/MB |
O Profesp - Programa Segundo Tempo Forças no Esporte uma parceria do Ministério do Esporte com a Defesa é um dos bons exemplos de apoio de projetos e programas sociais de acesso à prática e à cultura do esporte (iniciação esportiva) pelas Forças Armadas em especial à MB.
O esporte é um poderoso instrumento de responsabilidade social de todos entes públicos e privados o que possibilita inserção e ascensão social e a massificação e transformação do Brasil em uma grande potência olímpica.
A MB agrega os valores do esporte, como tenacidade, fogo sagrado, disciplina e comprometimento, à formação dos seus futuros oficiais, que seguem os preceitos da Rosa das Virtudes.
Capítulo 4 – Conclusão
A importância da canoagem para o Brasil na formação e fomentação de novos talentos para o crescimento do esporte.
O Brasil, por apresentar uma grande extensão de rios e lagos, cercado por um litoral de 7.491 quilômetros de extensão, tornou-se o 16º maior litoral nacional do mundo. Toda a sua costa encontra-se cercada pelo Oceano Atlântico.
Dos 26 estados brasileiros, nove apenas não tem acesso ao mar, além do Distrito Federal. A maioria dos 17 estados costeiros tem suas capitais próximas do litoral, com exceção de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Teresina, Belém e Macapá. No entanto, Porto Alegre, Belém e Macapá estão próximas de grandes rios navegáveis, enquanto Curitiba e São Paulo se situam em áreas de planalto, a menos de 100 quilômetros de distância do Oceano Atlântico, em linha reta, e possuem grandes represas, lagos e lagoas em sua região.
Projeto
Meninos do Lago foi criado há 11 anos em Foz do Iguaçu uma parceria entre a
Itaipu Binacional e a Federação Paranaense de Canoagem (Fepacan) -D.M.
Esportes/Foto: Nilton Rolin/Itaipu-
Devido a esses fatores territoriais, o Brasil favorece a prática da canoagem abrangendo suas 11 modalidades esportivas, podendo contribuir para a formação de uma gama de atletas oriundos de suas regiões e fomentando o crescimento do esporte e a formação de novos talentos.
Associados a isso, temos
observado que o apoio financeiro, atrelado a equipe permanente
multidisciplinar, testes periódicos e investimento em pesquisas, é fator
primordial para a formação, o alicerce e a construção do atleta-campeão. Por
meio desses exemplos de vida, de história, de garra, de luta e vitórias no
esporte, colaboramos para a formação de uma sociedade mais comprometida,
disciplinada, em busca de objetivos e sonhos, capaz de superar todas as
dificuldades e adversidades da vida. Viva o esporte.
Referências Bibliográficas
CANOAGEM, CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA-
Arquivos, 1998.
HISTÓRICO www.bndes.gov.br
COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO. www.cob.org.br
WIKIPÉDIA. www.wikipédia.org
COMISSÃO DE DESPORTOS DA MARINHA.
www.marinha.mil.br/cefan
VILLEGAGNON, Revista de. Escola Naval,
2014.
Militar RM2 da Reserva da Marinha do Brasil; Pós-graduada em treinamento desportivo-UFRJ- CCFEX;
Membro da AEA- Aquatic Exercise Association; Especialista em Canoagem pela Cbca- Confederação Brasileira de Canoagem e COB-Comitê Olímpico Brasileiro;
Instrutora de Canoagem e Personal trainer, e
Contato e-mail: personalrenataesteves@hotmail.














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