A Regata Escola Naval: de lazer à performance um grande espetáculo esportivo brasileiro!
“A Regata Escola Naval: uma forte ferramenta de responsabilidade social e ambiental”.
Os primeiros registros de regatas na cidade do Rio de Janeiro
são encontrados no tempo das marinhas a vela em princípios do século XIX, onde
habitualmente a força física faz-se nas manobras de pano dos navios, nas lutas
pela Independência do Brasil (expulsão dos portugueses) e regenciais, nos
treinamentos de rotina, visando à preparação a guerra e tarefas diárias, nas
viagens de instrução e circunavegação dos Guardas-Marinhas e nos desafios. Os
desafios conhecidos como disputas festivas marítimas de caráter esportivo
encontram-se desde 1841. Partem da Fortaleza de São João e chegam à enseada de
Botafogo, em frente ao solar do Marquês de Abrantes de onde assiste a família
real. Essas disputas ocorrem em baleeiras e escaleres da Alfândega e em navios
de guerra à velas brasileiros e estrangeiros. Os futuros e famosos Almirantes
Tamandaré e Barroso julgam as regatas tendo em disputa cobiçados troféus. Tais desafios ajudam a forjar o
espírito marinheiro, o líder, o militar e o técnico. As manobras a vela exigem
grandes sacrifícios dos marinheiros:
“de robustez física, de agilidade, só pode imaginar quem viu
um homem apoiado com a barriga na verga do mastro, a 40 metros de altura, os
pés pouco pousados em estribos, que eram cabos finos e oscilantes, as mãos ocupadas em colher enormes extensões
de lonas grossas e molhadas, com o navio dando balanços e caturros, o vento
zunindo, a chuva encharcando-o e tirando-lhe a visão” (Martins, 1988:85).
As regatas nos navios à vela e escaleres a remo, disputas de
caráter esportivo respondem de forma análoga à guerra, representada nas lutas
de independência e regenciais do Brasil Imperial. Nesse sentido, o esporte e a
guerra:
“envolvem formas de conflito que se encontram entrelaçadas, de
maneira subtil, com formas de interdependência, de cooperação e com a formação
do nosso grupo e do grupo deles. Aliás, tanto um quanto outro podem desencadear
quer emoções de prazer quer de sofrimento e compreendem uma mistura complexa e
variável de comportamento racional e irracional. A existência de ideologias
diametralmente opostas que sublinham, por um lado, que o desporto pode
constituir um substituto da guerra e, por outro, que este fenômeno é o veículo
ideal de treino militar, devido à dureza e à agressividade demonstradas pelos
que nele participam – é também muito sugestiva quanto ao caráter homologo e,
talvez, da inter-relação das duas esferas” (Norbert Elias, 1992:16).
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| (Foto:Divulgação) |
O crescimento da importância do esporte náutico ocorre com o
remo e o iatismo. O iatismo desponta em 10 de setembro de 1906 com a fundação
do Yacht Club Brazileiro [sic], ambos auxiliados pela Marinha do Brasil. A
influência militar faz-se no desenvolvimento do esporte e do clube, que tem o
primeiro Comodoro o Almirante Alexandrino Farias de Alencar, Ministro da
Marinha. Nessa ocasião, o Alm. Alexandrino Alencar institui taça com seu nome
objetivando chamar a atenção da juventude para as coisas do mar.
A estreita relação entre o meio militar e o civil é percebida
na Educação Física e Esportes pela ocupação de cargos de direção em entidades
desportivas na sociedade brasileira. Por exemplo, na presença do Almirante
Lemos Bastos, diretor da Escola Naval à frente da Confederação Brasileira de
Vela e Motor (CBVM) na década de 1940. Isto gera estímulo à prática esportiva e
conduz a mocidade ao mar. Por sinal, a Vela da Escola Naval, ganha o incentivo
do Alm. Lemos Bastos ao criar a Volta à Ilha Rasa em 1940 regata na qual
participam grandes veleiros de cruzeiro, hoje veleiros de oceano.
Lemos Bastos cria também, a regata de ida e volta à Ilha
Grande, com contorno no farol de Pau a Pino, em 1941, num total de 120 milhas
de percurso. Esse evento é a primeira regata de oceano do Brasil. O Alm. Lemos
Bastos torna-se de forma decisiva o iniciador das regatas de oceano no
Brasil.
Ainda na década de
1930, o iatismo considerado elitista cobra altas taxas de inscrição nas
regatas. A Escola Naval participa a convite dos clubes e da Federação de Vela e
Motor da cidade do Rio de Janeiro isenta da taxa de inscrição. A criação do
Grêmio de Vela da Escola Naval em 1943 permite a que se retribua a gentileza
com a instituição da própria regata. Convidam-se os clubes filiados à entidade
desportiva estadual para competir livre de taxas e sem a necessidade de
filiação a clube ou a federação. O apoio do Iate Clube do Rio de Janeiro – ICRJ
na figura do Dr. Sérgio Carneiro é fundamental na organização da 1ª Regata
Escola Naval, segundo relata Luiz Carlos Peixoto Garcia Justo.
O entusiasmo pela prática esportiva é visto na juventude em
especial no iatismo o que favorece a criação do Grêmio de Vela na gestão do
Contra-Almirante Mário Hecksher, diretor da Escola Naval, tendo como primeiro
Comodoro, então Aspirante, e hoje Almirante Sabóia. O propósito era “manter aceso, entre os Aspirantes, o
espírito de marinharia e esportividade indispensáveis a qualquer Oficial de
Marinha” (Anuário CBVM, 1946:110 - 112).
As práticas físicas e
o aprimoramento intelectual desenvolvem-se juntos, na Escola Naval desde o
início do século XIX, como atividades imprescindíveis à formação militar. As
atividades físico-esportivas como integrantes do desenvolvimento social
auxiliam na aprendizagem do autocontrole dos indivíduos, na superação de
limites, no poder de decisão, no espírito de equipe, no cumprimento as regras e
na apreensão de valores éticos, morais e sociai
Na visão de Lyra Filho
(1941:11) “o esporte já proporciona diversões
ativas para a juventude e passivas à população, ativando sentimentos e emoções”
na sociedade brasileira. O Estado organiza socialmente a vida pública com a
criação de instituições centrais. Surge a institucionalização básica do esporte
(a primeira lei esportiva em 1941) e o Conselho Nacional de Desportos – CND,
com a atribuição de fiscalizar, orientar e incentivar a prática de esportes no
Brasil.
Neste contexto, surge em 8 de setembro de 1946, a “Regata
Escola Naval”, com o nome “Taça Escola Naval”, que se torna uma das maiores,
mais importantes e tradicionais competições do iatismo brasileiro e da América
Latina, sendo exigência à sua participação apenas o cruzamento da linha de
partida. Na presença do Almirante Jorge Dodsworth Martins, então Ministro da
Marinha, do Almirante Braz Vellozo, Diretor da Escola Naval e do
Contra-Almirante Lovett, Chefe da Missão Militar Naval Norte Americana, além de
outras autoridades, tem início à regata às 14 horas com a presença de mais de
70 embarcações e vento sul fraco.
Na oportunidade, à
Confederação Brasileira de Vela e Motor retrata a primeira “Regata Escola
Naval” como: “gentil retribuição aos
convites e boa camaradagem dos Clubes da Federação de Vela e Motor, um grande
sucesso de concorrência e bom desporto” Anuário da C. B. V. M
(1946:81).
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| (Foto: Divulgação) |
Do evento consta provas das classes Guanabara, vencendo
“Itapacis”, com Pedro Capeto do Iate Clube Brasileiro; na classe Star, vencendo
“Chovisco” do Iate Clube do Rio de Janeiro, com Jorge Ferrer e Antonio Ferrer;
na classe Carioca, vencendo o “11”, com Roberto Fineberg; na classe Sharpie
12m, vencendo “Bounty”, com João Pinho Filho e Mauro Pinho Gomes; na classe
Hagen-Sharpie, vencendo “1” do Iate Clube do Rio de Janeiro, com Roberto Bueno
e na classe Dinghy, vencendo “Tico”, da própria Escola Naval, com o Aspirante
José Guimarães Matos e na classe Snipe, vencendo “Ley”, com Oto Dias. A partir
da terceira “Regata Escola Naval”, a competição adquiria cunho nacional pela
presença de iatistas de outros estados.
As primeiras “Regatas Escola Naval” alcançam mais de uma
centena de barcos. A 7ª edição ultrapassa a expectativa da organização do
evento com a presença de 126 embarcações, um número de participações recorde. O
iatista Anchises Lopes, uma das maiores autoridades da Classe Star na América
do Sul, frisa na ocasião: “espetáculos
como da Regata Escola Naval pela sua grandiosidade somente poderiam ser
presenciados na Inglaterra e nos Estados Unidos” (Revista de Vela, 1953: 3-8). Nas
primeiras regatas concorrem apenas monotipos, inclusive os clássicos 6 metros
R.I.
Segundo conta o Comandante Justo a chegada de novas classes de
embarcações nos anos de 1960, entre elas: veleiros junior, five-0-five, flying,
dutchman, pinguins, etc, promove o aumento do número de inscrições na “Regata”
de forma extraordinária, atingindo uma quantidade jamais imaginada,
principalmente com o advento dos barcos de oceano e dos optimists no final da
década.
Na década de 1970, o Grêmio de Vela da Escola Naval promove o
grande salto qualitativo no esporte. Os fatos determinantes do desenvolvimento
da vela são a chegada dos Comandantes Oscar Mattoso Maia Forte e Robinsson
Hasselmann, um dos mais credenciados velejadores do país; o apoio incansável
dos Diretores da Escola e a aquisição dos barcos da classe oceano CAL - 40
Villegagnon e Coligny construídos nos EUA. A expansão da classe oceano que
incorpora os grandes barcos de quilha e cabinados e o surgimento de estaleiros
e de velerias no país. Diante disso, as competições de iatismo tornam-se acirradas
com a Escola Naval disputando as primeiras colocações na classe oceano. Na
opinião do Comandante Justo, as extraordinárias mudanças despertam inusitado
interesse do gabinete ministerial. As segundas-feiras o Ministro da Marinha
passa a querer saber dos resultados das regatas e cumprimentar o Diretor da
Escola Naval e as tripulações.
O “boom” do iatismo da Escola Naval acontece no aparecimento
das classes laser, optimist e catamarans; na importação de embarcações
esportivas com isenção de impostos favorecida pelo Estado e na aquisição do
Veleiro “Cisne Branco”, nome dado ao Ondine IV, embarcação incorporada a
flotilha da Marinha do Brasil para viagens de instrução de guardas-marinha a
partir de 1981. O “Cisne Branco” chega a realizar seis viagens transatlânticas
de instrução. As doações de embarcações também contribuem para incentivar a
prática do iatismo, como a do “Procelária”, nome dos barcos da família do Dr.
José Candido Pimentel Duarte e batizada de “Grazina” pela Escola Naval.
| (Foto:Divulgação) |
O esporte nas décadas de 1980/1990, como uma força viva da
população cada vez mais presente na sociedade brasileira alcança abrangência
social (esporte-educação, esporte-desempenho e esporte-participação). Todos os
segmentos da sociedade têm a obrigação de desenvolvê-lo (variedade de
instituições e locais) colocando-o ao dispor da população em geral. Surge nova
configuração esportiva, principalmente, em função do aumento dos investimentos
das empresas; da implantação de projetos sociais, mesmo que ainda longe do
ideal, se comparado com os EUA e a Europa; da ampliação do envolvimento da
mídia apresentando um número cada vez maior e de novos esportes na tela; do
aumento das transmissões esportivas ao vivo e diária e do número de horas de
inserção com a utilização de novos recursos tecnológicos. O esporte mostra-se
excelente produto e um produto a vender outro produto, crescendo a sua
comercialização numa industria altamente diversificada, em especial na mídia
televisiva que demonstra um maior interesse em sua inserção na tela.
Nesse sentido, a “Regata”, um grande evento sociocultural
aberto à participação de todos, exige grandes esforços do Grêmio de Vela e da
Escola Naval em face dos altos custos à sua realização. A “Regata Escola Naval”
atinge recordes de número de barcos e chama a atenção da mídia e das empresas.
A grandiosidade alcançada pela Regata desperta dedicação do Grêmio de Vela da
Escola Naval na busca de parcerias junto às empresas públicas e privadas.
A “Regata” já mobiliza a sociedade brasileira para dela participar,
o que aumenta sua abrangência social, quer como prática (forma ativa) quer como
espetáculo (forma passiva). Dessa forma, atende a conceituação moderna do
esporte em suas manifestações de desempenho /rendimento
(competição-espetáculo), de participação (lazer ativo e passivo) e de educação
(sentido formativo) ajudando a forjar uma mudança de hábito em favor da prática
esportiva ao longo da vida.
A 46ªedição da “Regata” realizada em 1992 tem a parceria do
BANCO DO BRASIL e das CASAS SENDAS. Os dois anos seguintes às embarcações da
Escola Naval passam a estampar os logotipos (marcas) da “BR”, da “DELTA” e do
BANCO DO BRASIL. O primeiro barco a ter logotipo é o “Villegagnon” da classe
Oceano.
Em 1995, na 50ª edição – após meio século de regata estão presentes
817 barcos e em 1999, atinge-se o recorde do evento com 852 barcos, em classes
e número de participantes. Dentre as dezenas e dezenas de classes (mais de
setenta classes em 1999, participando com pelo menos três barcos no momento da
largada) e de embarcações encontram-se desde os antigos Guanabaras e Cariocas
aos modernos 49ers, os pequenos Optimists e as grandes máquinas da Classe
Oceano. A participação de campeões olímpicos e dos principais veleiros
oceânicos do país vem reforçar a importância alcançada pelo evento esportivo. A
dimensão incontestável de grande espetáculo apoia-se também no crescimento da
assistência, de maior inserção na mídia e de investimentos das empresas
públicas e privadas.
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| (Foto: Divulgação) |
O maior aporte de verbas favorece o desenvolvimento de setores
na Regata EN, principalmente, voltados à divulgação (aumento da inserção de
imagens na mídia) e na profissionalização da assessoria de imprensa, dentre
outros aspectos. Isto proporciona o aumento da visibilidade da “Regata” levando
ao seu crescimento como espetáculo.
A edição de meio século da “Regata Escola Naval” conta com o
patrocínio do BANCO DO BRASIL estampado nas embarcações de Oceano “Sargaço”,
“Villegagnon” e “Brekelé”. Daí em diante, essa instituição financeira marca a
sua efetiva presença no evento em geral. Na visão do Comandante Justo, o
crescimento do número de concorrentes da “Regata” não traz a perda da qualidade
técnica da disputa. A presença dos melhores velejadores do país com seus
modernos barcos e equipamentos, muitos deles campeões mundiais e olímpicos e a
formação de Comissões de Regatas criteriosamente escolhidas possibilita
eficiente organização, escolha, montagem dos percursos e execução das regatas
sob regras internacionais promovendo gradativa melhoria do desempenho técnico
dos participantes.
O grande número de empresas envolvidas nos últimos dez anos
(1996 até 2006) no evento como anunciante-patrocinador (entre variadas formas
de envolvimento) favorece o desenvolvimento da “Regata Escola Naval”, dentre
elas: BANERJ, GBOEX, SAMELLO, ASCOT, CAPEMI, DOCENAVE, XEROX DO BRASIL,
ANTÁRTICA, PETROBRÁS, BOAT SPEED, BLUE PASSION, OCEAN BLUE, ILHA NAÚTICA,
EDITORA ROCCO, VARIG, MARIU`S, HIDROCART, NAUTICAPAS, CENTRO NAVE TURISMO,
CHAMPION SUÍTES, AVIBRÁS, SOLEMAR, DOSSIÊ NAÚTICO, MULTICAMP, RÁDIO ELDORADO,
HOTEL DO FRADE DNV-GDK, DEF NORSKE, VERITAS, PARMA, NSO, NORSKAN OFFSHORE,
NAVEGAÇÃO SÃO MIGUEL, entre outras. A importância da “Regata” é ressaltada nas
imagens e fotografias extraídas das embarcações de apoio e de helicópteros, direitos
exclusivos da Escola Naval e dos patrocinadores que usam o costado das
embarcações com o nome do patrocinador
A “Regata Escola Naval” em 1999 (54ª edição) demonstra de
forma continua o seu crescimento como espetáculo em função do aumento do interesse
da mídia, do número de patrocinadores, da assistência e das cifras investidas
por empresas como: DSND CONSUB S.A, DANNEMANN CONSULTORES ASSOCIADOS, REVISTA
NAÚTICA, AGF SEGUROS, DAMEN SHIPYARDS e SOAMAR RIO. Os investimentos das
empresas passam a atender de forma efetiva os custos da realização da “Regata”,
evento de caráter multifuncional com despesas em: transporte, alimentação,
hospedagem, prêmios, divulgação (TVs, rádios, jornais, revistas, outdoor,
internet, helicóptero e etc.) e promoção (merchandising em variados materiais),
stands, impressos, exposições, logomarcas (materiais e equipamentos), seguros
(de barcos e pessoas), serviços médicos, de salvamento, de segurança e de
recepção, de direção e suporte técnico da competição, material e equipamento
técnico e administrativo. O evento apresenta, também, entretenimentos como:
animação infantil, planetário, cães amestrados, Banda dos Fuzileiros Navais,
gincana de pintura, passeio de barco, exposição de carros antigos e de
tecnologia naval, sonorização e locução, filmes e teatros, nautimodelismo
(demonstração e competição) e além da tradicional feijoada.
A “Regata” amplia seu raio de ação abrangendo uma programação
esportiva que alcança a “Regata a Remo” na Lagoa Rodrigo de Freitas, a “Regata
de Windsurf” na Lagoa de Marapendi e a “Meia Maratona de Canoagem” além da
“Regata Ecológica e da Regata de Optmist”.
Lars Grael explica a importância da “Regata” por ocasião da
sua 54ª edição (1999). Participante do evento desde 1980, Lars acredita que a
comemoração se sobrepõe à competição afirmando: “É claro que vencê-la tem um sabor especial, mas o legal é que é uma
festa muito bonita onde participam desde os grandes profissionais até o
marinheiro de primeira viagem” (Jornal do Brasil. 11.10.1999:8).
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| (Foto: Divulgação) |
A 54ª edição a “Regata” apresenta grandes novidades. Aparece a
classe “Escaler”, desenvolvida no Brasil pelo Arsenal de Marinha do Rio de
Janeiro, uma embarcação para ser utilizada nas escolinhas de vela. Essas
embarcações confeccionadas em fibra de vidro têm a capacidade para 8
tripulantes. Dezesseis barcos participam da competição na categoria que,
inclusive conta com a presença de quatro delegações estrangeiras da Itália, do
Chile, do Uruguai e da Suécia. A classe é vencida pelo barco “Paula” tripulado
pelos Aspirantes da Escola Naval. Tal fato caracteriza o início a
internacionalização da marca “Regata Escola Naval”. As inscrições da Regata, em
seu segundo ano, continuam a serem feitas pela Internet. Na ocasião, o público
pôde ver a regata de uma arquibancada de 500 lugares instalada pela Prefeitura
do Rio, entre as praias do Flamengo e Botafogo (altura do Morro da Viúva), com
as embarcações passando a 100 metros da praia. Isto traz a lembrança dos
“Pavilhões de Regatas” construídos no início do século XX pela Prefeitura da
Cidade, com a finalidade de abrigar a assistência às regatas a remo, um grande
evento social na época.
Na 55ª edição da “Regata” no ano 2000 competem 832 barcos
distribuídos em 70 classes e com a presença de velejadores olímpicos como Lars
e Torben Grael, Marcelo Ferreira e Kiko Pelicano. Um dos fatos marcantes do
evento é a apresentação do novo “Cisne Branco”, veleiro de instrução armado em
galera (três mastros) construído na Holanda, em 1999 e incorporado à Marinha do
Brasil. Em paralelo a Regata ocorre o 1º Simpósio de Segurança do Navegador
Amador. O Simpósio idealizado pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) tem como
propósito de revisão da NORMAM 03 (Normas da Autoridade Marítima). Pela
primeira vez, sentam-se lado a lado os velejadores, profissionais ligados a náutica,
proprietários de estaleiros e marinas e os oficiais da DPC, encarregados de
elaborarem a legislação. O resultado do evento supera as expectativas e atrai
ainda para a “Regata” novas empresas patrocinadoras/apoiadoras como a MTU
MOTORES, INTERMARINE, REVISTA OFFSHORE e BRANCANTE CORRETORA DE SEGUROS.
O destaque no evento é
do seu mais antigo velejador, o alemão Karl Henrich Boddener, com 85 anos
(2000), presença constante desde 1947 (2ª edição) e vencedor na classe
Guanabara em 1999, com o veterano Itacibá (G97). Outro grande esportista da
“Regata” é o velejador Benjamin Sodré Júnior, de 85 anos com seu J24 e 57
participações na 61ª edição em 2006.
A presença de novos patrocinadores do Grêmio de Vela da Escola
Naval como a GLOBALSTAR do Brasil S.A e do BANCO OPPORTUNITY sobressai
estampados nos cascos e velas das embarcações. Isto favorece os custos de
manutenção, de treinamentos e participações em competições. Outros
patrocinadores da “Regata” são AGUSTA GKN (empresa que negocia helicópteros),
DANNEMANN CONSULTORES ASSOCIADOS, ALENIA DIFESA (empresa de sistema de armas) e
DSND CONSUB S.A (empresa de engenharia submarina). Na ocasião, a Gazeta
Mercantil faz a seguinte referência sobre a “Regata” na época: “Pelo visto, o marketing da Marinha vai de
vento em popa” (21/9/00:6). A importância alcançada pela Regata no cenário
nacional proporciona a sua inclusão no calendário da cidade do Rio de Janeiro.
Na passagem dos séculos XX para XXI, a Regata alcança o
recorde de público nas instalações da Escola Naval com a presença de 15.000
pessoas e na água 848 barcos – 56ª edição em 2001. Ela conquista novas
parceiras, entre elas: a ELETROBRÁS e o BANCO BBV. Amplia a sua
internacionalização pela presença das Marinhas Amigas da Itália, Portugal,
Holanda, Chile, Uruguai, Reino Unido e dos Estados Unidos.
Em
2002 a Regata realiza a Rio Va’a, primeira prova oficial de outrigger no estado
do Rio de Janeiro e na América Latina. Foi durante a 57ª Regata da Escola
Naval, na Praia Vermelha.
Cresce a presença constante de alguns dos melhores iatistas do
país em sua 61ª edição em 2006, entre eles: Henrique Pelicano, Nelson Falcão e
Ronaldo Senf.
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| (Foto: Divulgação) |
Integra-se no desenvolvimento de projetos sociais de
organizações não governamentais e públicas como: o “Instituto Rumo Náutico”
idealizado por Lars Grael, Torben Grael e Marcelo Ferreira no início dos anos
1990 e o “Navega São Paulo” idealizado pela Secretaria de Esporte, Lazer e
Turismo de São Paulo a partir de 2006. Isto favorece seu entendimento focado na
responsabilidade social e ambiental devido ao treinamento oferecido por
oficiais e aspirantes aos jovens. Oportuniza-se a formação de cidadãos pela
participação dos jovens no atendimento aos visitantes, no conhecimento das
embarcações da Marinha e das tradições marinheiras, na promoção da difusão da
vela, no auxílio à formação profissional, na consciência da importância do mar
e da ecologia e no espírito de equipe despertado pela presença nas competições
todas tarefas compatíveis com a idade e qualificação.
O desenvolvimento do esporte no país traz benefícios a todos
os segmentos envolvidos. Leva ao aumento do interesse da população de assistir
o evento nos locais de competição. A mídia como a maior responsável pelo
crescimento do público e dos investimentos das empresas no esporte atinge
maiores índices de audiência.
O atleta apresenta maior dedicação aos treinos e a competição
e as empresas na função de anunciante-patrocinador trazem a seriedade ao setor.
A conjugação de forças entre os meios de comunicação, as empresas e o esporte
determinam diretamente o seu desenvolvimento, principalmente pelo alargamento
das formas de aproximação beneficiando o setor com investimentos, organização e
profissionalização.
A “Regata”, por sua vez, projeta em dimensão exponencial à
Escola Naval, a mais antiga instituição de ensino superior do país, encravada
na Ilha de Villegagnon, na Baía de Guanabara. Contando com uma tripulação de
cerca de 1500 pessoas entre civis e militares a Escola Naval alcança na
“Regata” contingente populacional flutuante em torno de 3000 velejadores e 5000
convidados e mais algumas centenas de trabalhadores indiretos, o que perfaz
cerca de 10000 pessoas presentes no evento esportivo.
Esse evento tradicionalmente realizado no segundo domingo de
outubro é visto na Baía de Guanabara sob variados ângulos produzindo imagens em
cenários cinematográficos da cidade do Rio de Janeiro em função da localização
geográfica e estratégica da EN. O trabalho árduo da tripulação da EN, da
organização do Grêmio de Vela e do apoio da Sociedade Acadêmica Phoemix Naval
favorece, decisivamente para o sucesso da Regata.
A
partir de agora, vamos contar os novos fatos esportivos ocorridos na Regata
Escola Naval, considerada a maior da América Latina. Em 2015, a sua 70ª edição
foi antecipada para o dia 13 de junho com o objetivo de comemorar os 150 anos
da Batalha Naval de Riachuelo. Também foram comemorados os seus 70 anos de
criação e a sua integração ao calendário de eventos alusivos aos 450 anos da
cidade do Rio de Janeiro.
A Regata Escola Naval
reúne, na Baía de Guanabara, centenas de embarcações de diversas modalidades
esportivas e classes: oceânicas, monotipos, escaleres, catamarãs, veleiros rádio controlados, windsurf,
vela adaptada, além de nautimodelismo. Juntamente com a Regata,
ocorreu a 26ª Meia Maratona de Canoagem.
Em 2018, o evento integrou-se
ao calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
A presença de organizações militares da MB, em seus diferentes setores, e de empresas patrocinadoras gera mais visibilidade e divulgação para as ações realizadas por todos os envolvidos, contribuindo, também, instituições como as Voluntárias do Cisne Branco e o Abrigo do Marinheiro.
A presença de organizações militares da MB, em seus diferentes setores, e de empresas patrocinadoras gera mais visibilidade e divulgação para as ações realizadas por todos os envolvidos, contribuindo, também, instituições como as Voluntárias do Cisne Branco e o Abrigo do Marinheiro.
A presença de atletas
olímpicos da MB, em especial da Regata de 2016, chama a atenção com medalhistas
como as sargentos Martine Grael e Kalena Kunze, estimulando participantes e atletas
amadores nacionais e internacionais.
A Regata e a Escola Naval também oferecem grandes possibilidades
de elaborar planejamento estratégico relacionando marcas, serviços e produtos
de empresas públicas e privadas com o esporte.
Somam-se a isso as excelentes instalações para todos os tipos
de eventos. Campos de esporte, pista de atletismo, piscinas, alojamentos,
ginásio coberto (quadras), biblioteca, salões de eventos, praças de alimentação,
estacionamento e auditórios (incluindo o de 1.000 lugares), além de recursos
tecnológicos de última geração, garantem às empresas patrocinadoras melhores
oportunidades de retorno institucional.
Reforçam-se o reconhecimento de marcas, o lançamento de
produtos e serviços, o retorno de imagens e capitais e a sedimentação de
modelos de consumo aliados ao esporte. Consolidam-se conceitos e reasseguram-se
consumidores nos amplos, atraentes e competitivos mercados brasileiro e
mundial, por meio do retorno de mídia espontânea, patrocínio, merchandising,
licenciamentos, entre outros.
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| (Foto: Divulgação) |
A
Regata Escola Naval, em sua 74ª edição em 2019, tornou-se um forte componente
na relação com empresas públicas e privadas desejosas de assumir novas e
maiores responsabilidades sobre questões de natureza social e ambiental.
Enfim,
o esporte e a Regata abrem oportunidades competitivas de impacto positivo para
a imagem institucional, a geração de valor de marcas, produtos e serviços e o
fortalecimento da identidade das empresas na sociedade brasileira.
Referências
Bibliográficas
ANUÁRIO
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Marítima – CPEM – Escola de Guerra Naval (EGN) – doutorado em Ciências Navais,
Rio de Janeiro, 2004.
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Tubino do Esporte. Rio de Janeiro: Senac.
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* O Texto original: GARRIDO. F.A.C. A Regata Escola Naval: do lazer à performance um grande espetáculo. Revista Villegagnon. Revista Acadêmica da Escola Naval. vol 2, nº 2, 2007.
** Novos parágrafos foram introduzidos de 2015 em diante.
*** novas fotos.
** Novos parágrafos foram introduzidos de 2015 em diante.
*** novas fotos.
Leia o artigo científico estampado pela REDE BIM, listado do lado esquerdo do blog. Essa é mais uma das produções científicas do DEFE da Escola Naval reproduzida na Revista Villegagnon.









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