Paramotor/Parafly: habilidades, respeito mútuo e consciência de segurança!


Figura 1 Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=699241735538099&set=pb.100063568374944.-2207520000


Por Fernando Garrido

 

Paramotor/Parafly: ética, conhecimentos e zelo!

 

Uma das primeiras notícias sobre o aparecimento do paramotor no Brasil surgiu durante um campeonato de voo livre, na Barra da Tijuca (RJ), em 1994. Na ocasião, foi realizada uma demonstração de paramotor pelo piloto francês Gerard Theveunout, em voo pela cidade.

O voo alcançou grande visibilidade, repercutindo entre os atletas. A área útil do velame atraía ações de marketing e mídia e favorecia o profissionalismo no esporte.

Um dos primeiros a comentar sobre o equipamento foi o piloto Marcelo Merin, que teceu elogios sobre o seu potencial. A área do velame facilitava a oferta de produtos e serviços durante o voo, a exposição de marcas e a promoção de novos negócios. Além disso, proporcionava estabilidade ao equipamento e ao voo em baixa velocidade e altitude.

Com publicidade estampada no velame, o paramotor também beneficiava a organização de eventos em geral. Utilizado como meio de propaganda em feiras, exposições, estádios e arenas esportivas, ganhava destaque nacional por decolar de qualquer lugar e pousar em espaços reduzidos.

No meio militar, despertou interesse para treinamentos de combate e missões de forças especiais em locais específicos e de difícil acesso terrestre, atraindo maior atenção da sociedade brasileira.

O equipamento também passou a ser utilizado no monitoramento de áreas, fazendas, praias e florestas do país, bem como na sua recuperação.

Figura 2. Fonte: https://cbpm.esp.br/pl1-e-pf1-brasileiro-em-pimenta-bueno-ro/

No verão de 1995, um evento promocional da Ford Motor Company chamou a atenção dos brasileiros. A tarefa era percorrer a costa brasileira, de paramotor, durante três meses, uma aventura de dois pilotos que acabou despertando interesse pelo desempenho esportivo do equipamento.

O sucesso do marketing na utilização do paramotor levou a Ford e os pilotos a assinar um contrato de exclusividade que previa 300 horas de voo por ano. O contrato vigeu de 1996 até 2002, totalizando 4200 horas. Essa época representou um marco divisor no emprego do paramotor para treinamentos e competições voltados ao lazer e à formação educacional e profissional, além da melhoria do desempenho esportivo.

O crescimento do paramotor como competição de rendimento começou a se consolidar entre séculos 20 e este, com o alinhamento de um conjunto de iniciativas, entre elas:

·       As primeiras competições de paramotor no Brasil organizadas pela Associação Brasileira de Pilotos de Ultraleve (Abul), como o 1º Festival Sul-Brasileiro de Paramotor, realizado em 1999.

·       A gestão do paramotor subordinada à Associação Brasileira de Parapente e Paramotor (ABPP).

·           A implantação de apuração e catalogação de recordes nacionais e mundiais.

·           Um dos primeiros recordes brasileiros de voo de paramotor foi o de distância percorrida. O piloto Valtemir Pereira de Souza (o “Billy”) percorreu o litoral de Santa Catarina em 24 de julho de 2006, em linha reta, perfazendo 262 km. O recorde anterior foi obtido pelo paulista Sérgio Kawakami em 18 de julho daquele ano, também em Santa Catarina, com 250 km.

·       O início da participação regular do Brasil em campeonatos mundiais de paramotor. A primeira delas ocorreu na 5ª edição do Mundial, em setembro de 2007, em Pequim (China), com os pilotos Marcelo Alexandre Menin e Valtemir Pereira de Souza trazendo na bagagem novos equipamentos e técnicas de pilotagem, além de maturidade competitiva.

·      A importação e comercialização de equipamentos de paramotor por empresas credenciadas no país.

·           O envolvimento de atletas de outros esportes de aeronaves ultraleves, como o voo livre e o parapente, com a prática de paramotor.

·           A criação da Associação Brasileira de Paramotor (ABPM), fundada em 13 de julho de 2007, que reunia os praticantes do esporte.

·           A organização de cursos de formação de instrutores de paramotor pela ABPM, com o primeiro em 2007, ministrado pelo espanhol Ramon Morilas, tetracampeão mundial da modalidade.

·       A realização do 1º Campeonato Brasileiro de Paramotor, em Bariri (SP), de 24 a 26 de outubro de 2008, sob o patrocínio da SOL Paragliders.

·       O desenvolvimento do paramotor sob a responsabilidade da Abul e da ABPM.

·       A organização de equipes e associações de pilotos tem sido fundamental para a difusão de competições locais, regionais e campeonatos brasileiros pela Abul/ABPM;

Figura 3. Fonte: https://cbpm.esp.br/


·               A realização, pela ABPM, da 1 ª Copa Sul-Americana de Paramotor, de 10 a 13 de dezembro de 2009, junto com o 2 º Campeonato Brasileiro, na Praia Grande, em Torres (RS). 

·       O reconhecimento da Confederação Brasileira de Paramotor (CBPM), em setembro de 2012, como responsável por regulamentar, organizar competições e emitir habilitações. A oficialização da CBPM ocorreu em 2 de maio de 2013.

·       A criação de um ranking brasileiro com resultados registrados e homologados na CBPM. A iniciativa levou à participação de atletas em eventos nacionais e internacionais a partir de um sistema de meritocracia, além da aferição e catalogação de recordes mundiais a serem homologados pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI).

·       A organização dos primeiros eventos internacionais no país. O primeiro deles foi a Copa América de Paramotor. O evento foi realizado em Toledo (PR), entre 14 e 16 de fevereiro de 2014, e contou com a participação de mais de 60 pilotos nacionais e internacionais. Organizada pela Caju Brasil Eventos Aéreos, em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel) de Toledo, a copa ocorreu na Grameira Santa Helena, na saída para São Luiz do Oeste.

·       A realização do Campeonato Brasileiro de Paramotor e Paratrike, de 12 a 18 de junho de 2017, em União da Vitória (PR), que serviu para seletiva da equipe brasileira que foi ao Mundial, na Tailândia, em 2018.

·       O chamamento público para cidades (prefeituras) se candidatarem a parcerias estratégicas para a organização de eventos esportivos.

·       O crescimento da organização exclusiva de encontros nacionais, regionais e internacionais de paramotor e de paratrike por clubes, prefeituras e estados, com o aumento da adesão de pilotos de todo o país e o apoio da ABPP e da CBPP.

·       A catalogação de recordes nacionais e internacionais e de resultados expressivos em âmbito mundial, incentivando a adesão de praticantes e a aproximação entre prefeituras, empresas (privadas e públicas) e a mídia em ações sociais e ambientais.

·       O aumento de parcerias entre instituições esportivas, prefeituras e empresas, impulsionando o turismo, o comércio e a economia locais ao gerar empregos, renda e impostos.

·       A oferta de voos panorâmicos sobre as belezas naturais do país, além de visitas a fabricantes de equipamentos esportivos do setor e empresas da cultura local.

·       A projeção de cidades turísticas esportivas atraindo novas competições do paramotor e gerando maior visibilidade nacional e internacional com a transmissão de eventos na TV e nas mídias sociais espalhadas pelo mundo.

·       A quebra de recordes e rankings expressivos em eventos nacionais e mundiais envolvendo categorias como altitude, distância e precisão e produzindo maior visibilidade aos pilotos brasileiros.

O paramotor brasileiro experimentou um salto qualitativo na terceira década deste século a partir de um conjunto de fatores que o impulsionou nacional e internacionalmente.

A primeira competição mundial de paramotor clássico FAI organizada na América – o 11º Campeonato Mundial de Paramotor Clássico FAI – ocorreu no céu de Saquarema (RJ), entre os dias 20 e 30 de abril de 2022, e contou com a presença de mais de 100 atletas. Participaram países como Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Inglaterra, Itália, Japão, Portugal, Qatar, República Tcheca e Tailândia. 

Entre 25 de agosto e 4 de setembro de 2022, na cidade de São Lourenço (MG), foi a vez de o paramotor participar dos Jogos Aéreos Brasileiros (JAB), um dos grandes eventos do aerodesporto mundial.

Figura 4. Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=516896443566974&set=pb.100057398682677.-2207520000

Essa competição multiesportiva serviu para a consolidação do Brasil como potência mundial nos esportes aéreos. O evento foi organizado pelo Comitê Aerodesportivo do Brasil (CAB) e reuniu todas as modalidades regulamentadas do aerodesporto brasileiro e reconhecidas pela FAI.

Esses eventos acabaram fomentando a indústria aerodesportiva no país ao mobilizar uma série de ações para a sua realização. O incentivo à regulamentação e à segurança de voo, a oferta de novas tecnologias ao equipamento, a quebra de recordes de distância e altura e o desenvolvimento das categorias esportivas pelo aumento da participação de diversas faixas etárias são algumas delas. Soma-se, ainda, a maior visibilidade do esporte brasileiro alcançada dentro e fora do país.

A organização regular de eventos de esportes aéreos a motor proporcionou ao aerodesporto maior visibilidade nos meios de comunicação e melhor ambiente de negócios, como patrocínios corporativos e a comercialização, em especial, dos futuros Jogos Aéreos Brasileiros e competições de paramotor e paratrike.

 

Como o esporte acontece?

De acordo com a conceituação estabelecida por Tubino et al. (2007), o paramotor, ou parafly, é um esporte da corrente dos esportes a motor, mas também pode ser considerado um esporte radical, de natureza e aventura.

O paramotor é um esporte aéreo, derivado do parapente, porém com motorização, o que lhe gera autonomia. Pode voar por várias horas, atingir maiores alturas e percorrer grandes distâncias, desde que abastecido.

O piloto tem total dirigibilidade, e o equipamento é transportado em malas com peso total de 35 kg.

            No esporte aéreo e a motor, deve-se dar atenção a manutenção de motores, combustão perfeita, combustível correto, habilidade na decolagem e pouso, além de voo. O planejamento adequado do voo e o conhecimento do consumo do motor são essenciais.

Outro aspecto de grande relevância são as condições climáticas ideais. Fatores condicionantes como temperatura, altura, densidade do ar, além de velocidade e direção do vento, são elementos importantes para a segurança do voo.

Para voar, o paramotor necessita de velocidade de vento superior a 20 km/h, dependendo do tipo de vela, o que se obtém no ato de correr para decolar.

Figura 5. Fonte: https://avanteesportes.com/2022/05/26/jaragua-do-sul-sera-palco-do-1o-encontro-nacional-de-paramotor-e-paratrike/

O paramotor é uma aeronave leve e fácil de transportar que utiliza diversos tipos de motores escolhidos em função do peso da pessoa (55 kg de impulso). Os motores mais poderosos servem para voos em dupla (piloto e acompanhante, normalmente de 120 a 150 kg de impulso). Os motores mais usados são os de dois tempos.

As velas do paramotor são especiais e reforçadas para voos motorizados. Existem vários tipos à venda, fabricados no Brasil e no exterior. Antes de adquiri-las, porém, deve-se observar sempre o peso do piloto e a finalidade do uso.

A evolução tecnológica dos motores possibilitou o desenvolvimento acelerado do paramotor. Eles são mais leves, mais potentes e mais silenciosos, com novos desenhos de asas proporcionando melhores desempenhos. O resultado não poderia deixar de ser diferente, garantindo-se, também, a evolução técnica dos pilotos e das provas.

Um dos elementos de extrema relevância para o desenvolvimento esportivo do paramotor foi o aumento da autonomia de voo das aeronaves.

 

Afinal, quais são as provas do paramotor?


Provas de Navegação (Navigation)

Percorrer circuito marcado em mapa, bússola e altímetro, sobrevoando pontos de referência (tipos de provas comuns).

Pontos geográficos ou de referência demarcados (waypoints) dentro de um raio específico.

Restrição: GPS é proibido, valorizando-se a habilidade de pilotagem e orientação do piloto.

 

Provas de Precisão (Accuracy)

Pouso em Alvo (landing): pousar o mais próximo possível de um ponto central marcado no chão.

Derrubar Pinos (pin drop): derrubar pinos com os pés durante o pouso.

Voo Lento/Rápido (slow/fast flight): voar o mais devagar possível e, depois, o mais rápido possível em uma reta definida, mostrando controle da aeronave.

Provas de Economia (Economy):

Objetivo: percorrer a maior distância possível ou voar pelo maior tempo com uma quantidade limitada de combustível.

Provas de Slalom (Slalom):

Objetivo: Pilotar entre balizas (cones) de forma rápida e ágil, demonstrando maestria no controle da vela, especialmente em categorias como o Mundial de Slalom.

Provas Específicas/Mistas (Mixed/Specific Trials):

Paraball: Prova onde o piloto deve tentar pousar na "bola" (um alvo inflável).

Paratrike (PL1/PL2): Provas adaptadas para triciclos motorizados, incluindo decolagens curtas e precisão. 

Figura 6. Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=699995335462739&set=pb.100063568374944.-2207520000&type=3

 

Vamos contar algo mais para você!

O esporte do paramotor é dirigido, no Brasil, pela Associação Brasileira de Paramotor (ABPM).  A ABPM oferece suporte, certificações, cursos e eventos a pilotos e instrutores.

A Confederação Brasileira de Paramotor (CBPM) é a entidade máxima do aerodesporto no país. É filiada à FAI e ao Comitê Aerodesportivo do Brasil (CAB). Também é responsável por campeonatos, registros de recordes e representação internacional.

O paramotor é dirigido mundialmente pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI).

Hoje, o voo de paramotor pode durar de quatro a cinco horas, possibilitando recordes de voos mais longos sobre distâncias inimagináveis. Isso inclui os momentos em que a aeronave chega a operar com o motor desligado, aproveitando as correntes ascendentes e poupando combustível.

O paramotor gera uma grande sensação de liberdade de voar com segurança. O voo proporciona visão privilegiada, com incríveis e inesquecíveis paisagens oferecidas pela exuberância da natureza do nosso país, de norte a sul e de leste a oeste.

           Atualmente, as ferramentas da cultura esportiva de muitas modalidades são os recordes e rankings, como as da corrente dos esportes a motor, em especial, os aéreos. Elas incentivam a competição, a busca pela excelência e a identificação de atletas e equipes, fortalecendo a escolha meritocrática.  Fornecem um sistema de medidas e avaliação de desempenho, além de contribuírem para a melhoria da performance, a expansão da popularização e a tradição dos esportes.

Mas, então o que falta para voar de paramotor?

É necessário ser associado à ABPM/CBPM e cumprir os requisitos de prova de voo e conhecimento, além de possuir cadastro na Anac


Figura 7. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=699241712204768&set=pb.100063568374944.-2207520000

 


Referências Bibliográficas

ABPM. 3ª alteração estatutária ABPM CABPP. Disponível em: https://abpm.esp.br/download/3a_alteracao_estatutaria_ABPM_CABPP_2023.pd. Acesso em: 25 mai. 2025.

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COSTA, L. P. da (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2004.

FPDF. Federação de Paramotor do Distrito Federal: PARAMOTOR   x   PARATRIKE. Disponível em: https://www.fpdf-online.org/paramotor-ou-paratrike. Acesso em: 26 mai. 2025.

ITAIPU BINACIONAL. EMPREGADO DA ITAIPU REPRESENTA O BRASIL EM CAMPEONATO MUNDIAL. Disponível em: https://www.itaipu.gov.br/sala-de-imprensa/noticia/empregado-da-itaipu-representa-o-brasil-em-campeonato-mundial. Acesso em: 08 nov. 2020.

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TUBINO, M. J. G.; GARRIDO, F. A. C.; TUBINO, F. M. Dicionário enciclopédico Tubino do esporte. São Paulo: Senac, 2007.


Figura 8. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=699995318796074&set=pb.100063568374944.-2207520000



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