Atrelagem / Corridas de Charretes: de meio de transporte a esporte!
| Figura 1. Fonte: https://interagro.com.br/brasil-hipismo-os-campeoes-do-ii-festival-do-cavalo-lusitano-de-avare-na-breeders-cup-adestramento-atrelagem-e-equitacao-de-trabalho/ |
Por
Fernando Garrido
Atrelagem
/ Corridas de Charretes: habilidade na condução, sintonia e elegância!
Quando o
esporte apareceu por aqui!
Na passagem
entre os séculos 19 e 20, a imigração italiana no Brasil influenciou
significativamente a utilização de carroças para transportar mercadorias e
deslocar pessoas entre áreas rurais e urbanas.
Essas atividades rotineiras não
só contribuíram para desenvolver economicamente as regiões e socializar os imigrantes,
estreitando-lhes a comunicação, mas também para dar origem o esporte por aqui ao
promover a prática de corridas de carroça.
Na primeira metade do século 20, começaram a ser vistas corridas de trote em São Paulo com a criação da Sociedade Paulista de Trote e do Hipódromo da Vila Guilherme. Nas disputas, um cavalo puxava uma charrete guiada por um jóquei.
No final do século 20, o esporte
começou a ser impulsionado pela importação dos primeiros animais das raças bretão,
percheron e clydesdale, exímios em puxar carroções e carruagens.
| Figura 2. Fonte: https://www.cbh.org.br/index.php/historico-atrelagem |
A pioneira criação da raça puro
sangue lusitano, por exemplo, promovida pela Interagro, de Itapira (SP),
possibilitou o desenvolvimento da modalidade atrelagem como esporte no
Brasil em 1998.
A produção de linhagens próprias,
o treinamento de condutores e a importação de cinco carros da Alemanha foram os
passos seguintes para selar o início do esporte no país. Entre os carros, um era
do tipo Marathon (para provas com obstáculos); dois, do tipo Fun-Line (para
passeios e competições menos especializadas), e os restantes, do tipo Phaeton
(para passeios e competições de dressage).
A Estância São Francisco de
Borja, em Amparo (SP), de propriedade de Cláudio Borja, também foi um dos
locais pioneiros para a evolução da atrelagem.
Os cuidados com os animais também
foram essenciais para promover o esporte. Entre as principais contribuições,
destacam-se os trabalhos de Álvaro Coelho da Fonseca (cavaleiro, empresário e
proprietário do Haras Larissa, em Monte Mor/SP) e da veterinária Carolina Borja
(filha de Cláudio).
No Haras Larissa, os cavalos da
raça árabe também formavam quadras e parelhas, engatando-se a carruagens
antigas com condutores vestidos de trajes típicos. O show de elegância chegou a
contar com a participação da portuguesa Madalena Abecassis, juíza internacional
da modalidade e palestrante do esporte na ocasião.
Igualmente, as associações de
criadores de cavalo tiveram papel fundamental no crescimento do esporte. A
Associação Brasileira de Criadores do Puro Sangue Lusitano (ABCPSL), por
exemplo, tem procurado difundir a atrelagem promovendo apresentações em suas
exposições anuais e participações abertas a todas as raças.
Há anos, a Associação Brasileira
de Criadores do Cavalo Bretão (ABCCB) promove apresentações do esporte,
principalmente em feiras. Foi a ABCCB quem instituiu o Campeonato Paulista
aberto a todas as raças.
Figura 3. Fonte:
|
Já a Associação Brasileira
de Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA) organiza, em suas principais mostras,
competições denominadas Pleasure Driving, onde se pode observar a habilidade do
cavalo árabe como animal de tração.
A atrelagem oficialmente passou a
ser dirigida pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) no segundo semestre
de 2009. Por essa época, as competições eram administradas pela Associação
Brasileira de Atrelagem (Abrat), que fomentou a participação de todas as raças.
A organização do 1º Campeonato
Brasileiro de Atrelagem, em 2011, e a formação do primeiro ranking ocorreram
sob a gestão da CBH.
O
desenvolvimento da atrelagem esportiva no Brasil, neste século, tem sido apoiado
por fatores como:
· a oferta
de competições em todos os níveis hierárquicos no país, em especial de eventos
internacionais, apoiada pela FEI, CBH e organizações nacionais;
· a
participação de representações brasileiras em eventos internacionais;
· a
formação de profissionais especializados em lidar com os afazeres do esporte oferecida,
nacional e internacionalmente, em cursos, congressos, estágios e clínicas;
· a
participação do esporte em feiras, exposições, rodeios e concursos do esporte
com animais;
·
o desenvolvimento de linhagem de cavalos próprios
para a prática da atrelagem;
·
a seleção e preparação dos animais por haras, fazendas,
clubes e associações nacionais;
· a
importação de carros e arreios da Europa e o aumento da produção dos
equipamentos fabricados no Brasil;
· a
presença de uma grande variedade de raças participando das competições do
esporte no Brasil;
· a
constante evolução técnica dos conjuntos devido à realização de treinamentos e
competições.
Um
esporte da realeza para você!
| Figura 4. Fonte: https://www.facebook.com/atrelagemesportiva/?locale=pt_BR |
Como é o esporte?
A atrelagem exige fundamentalmente movimentos sincronizados, ritmados e trotados; a elegância de trajes e carros; a beleza plástica dos animais e a destreza dos condutores.
Há provas diferentes nos concursos do esporte, entre elas, o concurso completo, composto por provas de adestramento, maratona e maneabilidade, e as provas de condução e elegância e precisão.
Na prova de condução e elegância, os juízes observam a apresentação geral do competidor, condutor e passageiro, além das paradas e recuos. Já na prova de precisão, realizada em percurso com obstáculos, são considerados o tempo e as penalizações.
O esporte exige do cavalo preparo físico, obediência e agilidade. Do condutor, exige habilidade, destreza e competência, assim como nas provas de maneabilidade e derby.
A maneabilidade é uma prova que compreende um percurso de obstáculos, com círculos, serpentina e obstáculos combinados. A prova de derby assemelha-se à de maneabilidade, porém é executada em alta velocidade.
As duas provas são cronometradas. As penalidades são aplicadas por erros nas passagens, e as faltas (penalidades) são convertidas em acréscimo de segundos no tempo de percurso ou pontos.
A prova de adestramento avalia a liberdade, a regularidade dos andamentos, a harmonia, a impulsão, a elasticidade, a leveza, a facilidade e a correta curvatura dos cavalos nos movimentos.
Na prova de maratona, observam-se: a condição física, a resistência e o treinamento dos cavalos, assim como a habilidade de condução, o sentido dos andamentos e o conhecimento equestre do cavaleiro.
Um grande número de raças tem participado das competições no Brasil, entre elas: a puro sangue lusitano, morgan, haflinger, bretão, percheron, crioulo, welsh, cobs, manga-larga marchador, brasileiro de hipismo, clydesdale, piquira e pôneis.
As primeiras competições do esporte foram organizadas no estado de São Paulo. A cidade de Janiru tem promovido a Copa dos Campeões de American Trotter. Já em Campinas, ao lado do Aeroporto Internacional de Viracopos, no caminho da estrada velha de Indaiatuba, existe uma arena onde se pratica a Corrida de Trotadores. É em Campinas que fica a sede da Associação de Criadores do Cavalo de Trote e Carreira. Em outra cidade paulista, Piracaia, situa-se a Sociedade Paulista de Trote, fundada em 1944.
Figura 5. Fonte: https://cavalus.com.br/geral/cbh-divulga-os-campeoes-do-ranking-de-atrelagem-2017/
Vamos contar algo mais para você!
Os romanos e
gregos se utilizavam de animais atrelados a carros (chamados de “bigas”,
“trigas” ou “quadrigas”) como meio de transporte e competição do esporte antigo
4.000 anos a. C. O surgimento do automóvel levou os carros
(carroças/carruagens/bigas/trotes) puxados a cavalo a se tornarem um esporte
equestre – a atrelagem esportiva/trote.
A Confederação Brasileira de
Hipismo (CBH) é a entidade esportiva máxima do esporte no país.
A Associação Brasileira de Atrelagem (Abrat) é a entidade responsável pela
organização de provas de atrelagem junto à CBH.
A Federação Equestre Internacional (FEI) é a entidade internacional máxima do esporte.
Referências Bibliográficas
ABPSL – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DO CAVALO PURO
SANGUE LUSITANO. Atrelagem. Disponível em: www.associacaolusitano.com.br/site/html/stlusconteudo.asp?c=36. Acesso
em: 15 fev. 2018.
CBH – CONFEDERÇÃO BRASILEIRA DE HIPISMO. Histórico –
Atrelagem. Disponível em:
http://www.cbh.org.br/index.php/historico-atrelagem.html. Acesso em: 15 fev.
2018.
COSTA, L. P. da (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio
de Janeiro: Shape, 2004.
Interagro. Lusitano da Fazendas Interagro dá show na
atrelagem. Disponível em: interagro.com.br/ Acesso em: 15 fev. 2018.
TUBINO, M. J. G.; GARRIDO, F. A. C.; TUBINO, F. M. Dicionário
enciclopédico Tubino do esporte. São Paulo: Senac, 2007.

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