Esportes com Motores: habilidade, talento, coragem, emoção e prazer!



Os esportes com motores são identificados como uma das vertentes esportivas estabelecidas por TUBINO et al (2007).  Essas práticas, que se utilizaram de motores a combustão de gasolina durante o século 20, impulsionaram a difusão desses tipos de esportes no Brasil. Melhorar o desempenho das máquinas passava a ser uma meta para qual contribuíram pesquisas científicas e o desenvolvimento tecnológico de equipamentos e materiais.
Para atender às altas performances dos motores, entravam em cena a habilidade, o talento e a coragem do piloto. Ainda que empregados em simples protótipos miniaturizados em escala e controlados por rádio na terra, na água ou no ar, esses sempre foram alguns dos requisitos essenciais do esporte.


 Copa Truck/Divulgação
Os primeiros carros no mundo surgiram em meados do século 18, movidos a vapor e a energia elétrica, seguidos dos modelos a combustão de gasolina no final do século 19.
No início do século 20, apareciam no Brasil os primeiros carros, assim como competições a motor em pistas improvisadas em ruas e estradas, conhecidas por circuitos que ficaram famosos no país. Entre os locais mais populares estava o Circuito da Gávea, conhecido como Trampolim do Diabo.  Um grande número de pilotos apareceria no esporte desde essa época.
Os esportes a motor amadureciam com a fundação das primeiras entidades dirigentes no país. Em 1907, foi criado o Automóvel Clube do Brasil (ACB) e, em 1911, o Aeroclube do Brasil (ACB). As associações foram iniciativa de Alberto Santos Dumont, “pai da aviação” e precursor do automobilismo brasileiro e mundial. Em 1927, aparecia o Moto Club Brasil (MCB).

Por essa época, as corridas de automobilismo e motociclismo já eram consideradas atividades desenvolvidas sob caráter profissional. A primeira norma esportiva, a Lei nº 3199, de 1941, que tratava das bases de organização dos esportes amador no país e não referenciava a prática profissional.
A efetiva contribuição para o esporte no país chegou com a instalação das fábricas automobilísticas estrangeiras depois da Segunda Guerra Mundial, quando o governo de Juscelino Kubitschek autorizou o início da montagem dos primeiros automóveis. Surgiam as primeiras linhas de carros da Ford e da General Motors.
O interesse na ampliação das vendas, o desenvolvimento tecnológico dos carros, a divulgação nas mídias e o marketing impulsionavam a organização de competições esportivas e o envolvimento das grandes empresas automobilísticas.
Somados àquele conjunto de fatores apareciam clubes, circuitos de corridas e o patrocínio de empresas privadas nos carros, o que caracterizava o esporte como atividade essencialmente profissional.

A criação de clubes, federações e confederações especializadas ajudava a disseminar o esporte em diversos estados, como em São Paulo e Rio de Janeiro. De meados deste século em diante, as competições esportivas a motor se tornaram regulares em âmbito local, nacional e internacional.
O esporte ganhava novos rumos com a criação do Autódromo de Interlagos (SP), em 1940, e de Jacarepaguá (RJ), em 1966, além de kartódromos locais apropriados as competições de carros, karts e motos promovendo a novos rumos ao esporte à motor. As competições esportivas a motor se tornaram regulares e seguiam o modelo europeu de provas longas: Mil Milhas, 500 Quilômetros e 24 Horas.
Segundo Flores (2001, p. 12), em 1956 a Petrobras associava a sua marca ao evento das Mil Milhas Brasileiras, uma iniciativa pioneira no esporte a motor no país.

            A partir da década de 1970, o Autódromo de Interlagos passou a integrar o calendário internacional da F1 como segunda etapa do Campeonato Mundial. A participação de pilotos em competições internacionais e o incentivo das fábricas de automóveis na montagem das suas próprias equipes, com a oferta de carros e salários e a contratação de pilotos e mecânicos, estreitaram o profissionalismo no esporte.
O esporte se transformava em um laboratório de pesquisas e testes práticos e promovia a busca por inovações em equipamentos, materiais, pneus, segurança, combustíveis e derivados.
As competições esportivas a motor se tornavam uma ferramenta estratégica para as empresas automobilísticas acompanharem o desempenho dos motores em carros, motos e caminhões. Outros elementos eram testados, como velocidade, combustíveis, produtos derivados, eficiência de peças, novos equipamentos e o emprego de materiais sustentáveis em acabamentos internos e ecologicamente corretos.

O desenvolvimento científico e tecnológico começou a integrar e modificar também a vida cotidiana. Tornou-se imprescindível a um mercado consumidor que cada vez mais exigia conforto, resistência, durabilidade, velocidade, design, segurança de passageiros, novos tipos de materiais e fontes de energia renováveis.
Os motores elétricos de baterias recarregáveis fizeram um caminho inverso, quando, da observação do seu desempenho técnico em carros de passeio, acabou surgindo uma nova competição – a Fórmula E.
A relação homem-máquina se ampliaria. De carros e motos movidos a combustão de gasolina e seus derivados (diesel), seguiram-se o álcool, o motor elétrico e o meio virtual.
Planadores da FAB  no Campeonato de Voo a Vela

          O esporte a motor do mundo real também tem conquistado grande espaço no meio virtual. As disputas ocorrem em vídeo games e plataformas de computador, em diversas modalidades. Estão presentes em empreendimentos comerciais, centros de treinamento, arenas de e-Sports e, especialmente, dentro de casa. Nos e-Sports, principalmente, observam-se a formação de equipes integradas por pilotos de renome e youtubers, as competições de corridas virtuais (incluindo as homologadas pela FIA), os streamings via redes sociais, a grande audiência, o marketing e os prêmios.
Nesses tempos de pandemia, os jogos virtuais dos esportes a motor podem vir a ter crescimento exponencial como lazer, além de servirem como treinamento e competição a jogadores profissionais e pilotos de automobilismo. E, mesmo sem a influência da força “G” sobre o corpo, da imprevisibilidade e da adrenalina em meio a outros fatores da corrida real, a competição virtual se tornou de fato ideal.
É importante lembrar que as competições a motor abrangem carros preparados para corrida, de Fórmulas, modelos em escalas, caminhões, embarcações, aviões, jet-skis, ultraleves, girocópteros, paramotores, flyboats, foilboards, pranchas de surfe a motor etc.
Em síntese, o estreitamento da relação entre os esportes a motor no país e as empresas de automóveis, energia, mídia e marketing proporcionou uma série de condições para impulsionar o setor. Apareceram novos tipos de veículos e categorias de provas, intensificou-se a formação de pilotos e profissionalizou-se toda cadeia produtiva. Geraram-se também empregos diretos e indiretos, renda e arrecadação de impostos e distribuíram-se vultosas premiações.
Sem dúvida, o esporte a motor, em especial a F1, passou a ser um lazer diferenciado aos finais de semana. A emoção de assistir e o clímax da vitória com as façanhas, por exemplo, de um dos nossos grandes campeões, Ayrton Senna da Silva, ídolo do esporte nacional e mundial, até hoje nos trazem o orgulho de sermos brasileiros.
Este blog disponibilizará conteúdos sobre cerca de 50 esportes praticados no Brasil, referentes essa vertente esportiva.

Referências Bibliográficas
ALMANAQUE dos esportes (1975). Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1975.
CAPINUSSÚ, J. M. Teoria organizacional de Educação Física e Desportos. São Paulo: Ibrasa, 1979.
COSTA, L. P. da (Org.). Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2004.
FLORES, C. M. Memória do esporte Petrobrás. Rio de Janeiro: Comunicação Institucional da Petrobrás, 2001.
GARRIDO, F. A. C. Tendências da cultura esportiva no Rio de Janeiro: uma análise da mídia e das práticas de esporte. Tese de Mestrado. Universidade Gama Filho. Rio de Janeiro, 1999.
________. Automobilismo. Disponível em: https://alquimiadoesporte.blogspot.com/. Acesso em: 14 maio 2020.
TUBINO, M. J. G. O que é esporte: coleção primeiros passos. São Paulo: Brasiliense, 1993.
______. Dimensões sociais do esporte. São Paulo: Cortez, 2001.     
______. GARRIDO, F. A. C.; TUBINO, F. M. Dicionário enciclopédico Tubino do esporte. São Paulo: Senac, 2007.

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