Mergulho Livre e Autônomo: de prática aventureira a treinada e segura para os mais diversos fins!
| Figura 1. Fonte: https://www.ceubrasil.org.br/mergulho-autonomo/os-17-melhores-lugares-para-mergulhar-no-brasil |
Por
Fernando Garrido
Mergulho Livre e Autônomo: atividade esportiva de competição, lazer, preservação ambiental, exploração e contemplação!
Quando o mergulho apareceu no país?
A exploração do fundo do mar pela
escafandria no Brasil teve início na busca por tesouros, trazendo fama e
riqueza àqueles que os encontravam.
Um dos primeiros aventureiros a realizar tal
proeza foi Knivet, um viajante andarilho holandês que explorou, pela primeira
vez, o fundo do mar no Brasil.
Essa façanha aconteceu no Rio de Janeiro, onde
desembarcou em 1535. Ao mergulhar, ele utilizou uma vestimenta de couro untada
com sebo hebreu para impermeabilizá-la. O traje era encimado por um grande
capuz cheio de ar que lhe permitia respirar quando submerso.
Knivet buscava recuperar canhões de um forte na
Baía de Guanabara arrastados ao fundo do mar por tempestade. Caberia a ele, por
esse feito, a recompensa de 10.000 coroas de ouro, oferecida por Salvador
Corrêa de Sá, governador da capitania do Rio de Janeiro.
A tentativa, embora tenha sido um fracasso total,
valeu-lhe o registro da primeira experiência efetivada no país. Na Europa,
Guglielmo de Lorena já efetuava as primeiras experimentações com um “sino de
mergulho”.
Em meados do século 19, na operação
de salvatagem da fragata inglesa Thetis, naufragada na Ilha do Cabo, em Cabo
Frio (RJ), foi utilizado o sino de Halley, montado no Rio de Janeiro por um
oficial inglês.
Entre o final do século 19 e início do
20, começaram a aparecer os mergulhadores de salvamento, em sua maioria de
nacionalidade grega, que, com seus escafandros e bombas manuais, exploravam
nossas costas.
Na segunda década do século 20, foi
a vez de o crescimento do garimpo no Brasil contribuir para o desenvolvimento
do mergulho autônomo no país, impulsionado pelas demandas crescentes da atividade
extrativa.
| Figura 2. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/agencia-ygarape/ |
Para isso, foi fundamental a participação de Luiz
Charles Person, imigrante francês que respondeu pelos primeiros avanços da
exploração subaquática no Brasil. Profundo conhecedor dos assuntos sobre
mergulho autônomo, adquiridos em sua terra natal, fundou, em São Paulo, a
primeira fábrica de escafandros clássicos do país.
Inicialmente, a fábrica se dedicou à
produção de um equipamento exclusivo para operar na extração do ouro dos rios
brasileiros. O produto se chamava Paulistinha, escafandro que possuía apenas o
capacete ligado a um espaldar que se apoiava nas costas do mergulhador. Era manualmente
abastecido de ar por uma mangueira alimentada por uma bomba situada na superfície.
O enorme sucesso alcançado pelo
equipamento levou-o a ser quase exclusivamente empregado por aqueles que se
dedicavam ao garimpo. Tanto o escafandro como a bomba de ar foram patenteados
por Person, encorajando-o a partir para um novo modelo de escafandro clássico
marítimo voltado para trabalhos pesados sob a água. Esse, por sua vez, foi registrado
com o nome de Paulista, enquanto a bomba fornecedora de ar a alta pressão, batizada
de Sopra-Fogo.
O mergulho amador (esportivo) no Brasil começou
com o fim da 2ª Guerra Mundial, quando entusiastas e pilotos da Panair do
Brasil trouxeram da Europa os primeiros equipamentos de caça submarina.
A essa altura, o mergulho autônomo
tinha o seu desenvolvimento concentrado nas ações estabelecidas pela Marinha do
Brasil (MB). A MB foi a primeira instituição a realizar um curso técnico
profissional de mergulho autônomo e a única a executar serviços relacionados à
área durante anos. Essa atividade se desenvolveu principalmente em função de
treinamento de combate, de operações de salvamento e de desativação de
artefatos explosivos.
| Figura 3. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/atlantis-divers/ |
No mundo, o mergulho autônomo desenvolvia-se
no final da década de 1940 com o pioneirismo de Emile Gagnan e de Jacques-Yves
Cousteau, repercutindo por aqui.
Gagnan e Cousteau foram os criadores do
equipamento de cilindro de ar, o que trouxe nova configuração para o
desenvolvimento de outras atividades com possibilidade de deslocamentos
natatórios e respiração submersa no fundo do mar. O equipamento, conhecido por
Aqua Lung, teve ampla difusão e foi comercializado mundialmente.
A partir da década de 1950, as telas do cinema
ajudaram sobremaneira a expandir as imagens do mergulho autônomo. Filmes de
Hollywood geravam visibilidade para a possibilidade de se respirar embaixo
d’água. As telas chamavam a atenção para o esporte e as riquezas existentes no
mar, ampliando a perspectiva de novas atividades de lazer.
Crescia a prática do mergulho
feita exclusivamente pelo prazer de observar a flora, a fauna, a geologia e a
arqueologia submarinas e de interagir com elas.
A prática do mergulho subaquático deixou de ser
exclusividade de inventores, militares e profissionais, tornando-se acessível
ao público em geral.
A partir desse momento, o mundo subaquático, antes
pouquíssimo explorado e amplamente misterioso, revelou-se a partir de
fotografias e vídeos. Surgiriam o mergulho de contemplação e a foto
subaquática.
Um dos grandes ícones dessa mudança foi Jacques
Cousteau, precursor e produtor de filmes de mergulho de repercussão mundial. O
filme O Mundo Silencioso, de 1956, chegou a ganhar a Palma de
Ouro do Festival de Cannes, e três outros filmes do diretor ganharam o Oscar,
segundo a IMDB de 2015.
Além dos avanços tecnológicos, a divulgação de
imagens submarinas pela intensa produção de filmes, após meados do século 20, influenciou
significativamente a demanda pelo mergulho autônomo como lazer. Entre as
películas estão: Homens Rãs (1951), Rochedos da Morte (1953), 20.000
Léguas Submarinas (1954), 007 Contra a Chantagem Atômica (1965), 007
Contra Octopussy (1983), Imensidão Azul (1988), A Pequena Sereia
(1989), O Segredo do Abismo (1989) e Procurando Nemo (2003).
| Figura 4. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/lagoa-misteriosa |
Quando o esporte começou por aqui?
No início da década de 1950,
apareciam no Brasil os primeiros fotógrafos submarinos, entre os quais se
destacaram Américo (Emérico) Samassa Mayer, que publicou livros, e Luís Fausto,
que editou a revista de mergulho Anequin.
A vinda de Gigi Del Maschio, antigo
mergulhador de combate da Marinha Italiana, foi fundamental para o
desenvolvimento do mergulho autônomo no país. Del Maschio, um grande conhecedor
dos segredos do mergulho militar e de ações submarinas, estabeleceu-se em São
Paulo, onde fundou a primeira fábrica de escafandros autônomos da América do
Sul, em 1955.
A difusão do esporte foi favorecida pelo surgimento
de novas tecnologias na fabricação de equipamentos, estimulando o envolvimento
das pessoas com a prática do mergulho autônomo sob fins esportivos e,
principalmente, como lazer.
A
produção industrial dos equipamentos de mergulho autônomo crescia com a
fabricação de cilindros de aço, válvulas reguladoras de ar e de material
sobressalente, o que favoreceu o desenvolvimento do mergulho autônomo e da caça
subaquática. O pioneirismo e o nome Atlântida, de um fabricante, marcavam
grande época no cenário nacional.
No final dos anos 50, iniciou-se o mergulho
profissional com uso de equipamentos mais modernos. Nadadeiras, máscaras,
válvulas reguladoras, entre outros, favoreciam o emprego da atividade como
apoio à prospecção de petróleo, área em os brasileiros se notabilizam por
trabalhar em altas profundidades (até 300 metros).
Os primeiros cursos de caça submarina começaram a
ser realizados na Associação Cristã de Moços (ACM), no estado de São Paulo, em
1958. No curso eram oferecidas, também, noções de escafandria. Nesse mesmo ano,
surgiram os primeiros eventos internacionais com a presença de representantes
brasileiros.
No final de 1950 e início de 1960, Américo
Santarelli e Bruno Hermany começaram a ministrar os primeiros cursos de
mergulho no Rio de Janeiro, no Iate Clube Brasileiro.
Nas décadas de 1950 e 1960, os
portugueses Antônio e Eduardo criaram a primeira espingarda de ar comprimido de
caça submarina fabricada no Brasil, que ficou conhecida por Orca. A loja
Eletrovelocidade, de Ipanema (RJ), de propriedade dos dois, adquiriu fama e se
tornou ponto de encontro dos praticantes do esporte.
Em 1965, Santarelli começou a fabricar
uma linha completa de equipamentos no país. Surgia, ainda, outra espingarda de
ar comprimido, denominada Cobra, criada por Américo e Eduardo.
| Figura 5. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/profundo-33362145/ |
Resultados expressivos começaram a aparecer em
competições nacionais e internacionais em 1969. O primeiro deles foi de
Santarelli, que se tornou recordista mundial de mergulho livre (apneia) ao
atingir a marca de profundidade de 43 metros, na Ilha Rasa (RJ). Santarelli
ainda atingiria as marcas de 44 metros, no Cabo Circeo, próximo a Roma (Itália),
no verão de 1960, e de 46 metros, no ano seguinte, em Porto Fino (Itália).
A presença de brasileiros se intensificava em
cursos de mergulho autônomo no exterior. Também vinham de lá equipamentos trazidos
por pilotos de companhias áreas nas décadas de 1960 e 1970.
Com a reaparição da empresa Atlântida no cenário
nacional, houve a retomada da fabricação de escafandros. A produção contava com
o conhecimento de Álvaro Vilar Moreira, o lançamento de novos reguladores de ar
e escafandro com torneira mais moderna. Em 1980, a empresa lançou uma nova
linha de escafandros e o manômetro de alta pressão, acoplável ao regulador de
ar.
A maior oferta de cursos básicos e de
aperfeiçoamento e a criação de escolas de mergulho pelo país se tornaram
fatores que efetivamente promoveram o desenvolvimento dos esportes no Brasil.
No início da década de 1970, na
Associação Cristã de Moços (ACM) do Rio de Janeiro, realizavam regularmente
cursos de mergulho autônomo ministrados por João Carlos Silva – o “Tatalo”. No
final da década, surgiram os cursos orientados por Sergio Costa.
As primeiras entidades comerciais a
oferecer serviços e produtos como cursos próprios de mergulho surgiam em São
Paulo, promovendo o aumento da competição em busca de clientes.
Uma das primeiras empresas a entrar no mercado com
cursos de mergulho autônomo foi a Dallo Sub, de Júlio Llorente e João Daher
Filho. Os dois receberam incentivo do japonês Morita e do brasileiro Pedro
Kuramoto, ambos instrutores. Os cursos eram fundamentados no método de ensino da
Associação Profissional de Instrutores de Mergulho (Padi), organização
norte-americana criada em 1966 e uma das primeiras a certificar o mergulho
autônomo no mundo, que chegava por aqui.
Os cursos, que eram ministrados por Morita
e Kuramoto, se tornaram a grande novidade em São Paulo. Ambos chegaram a
lecionar no Instituto Oceanográfico da Universidade da USP. Nas sessões de mar,
eles intercalavam caçadas e mergulhos com aparelhos autônomos.
A falta de currículo e certificados e
a não concretização de projetos, contudo, inviabilizaram a sobrevivência do curso.
Uma solução encontrada foi a criação do Instituto de Exploração Subaquática
Dallo Sub (IESDS), de Júlio Llorente Neto, João Daher Filho, Raul Cutait e
Álvaro Vilar Moreira.
| Figura 6. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1659808879485581&set=pb.100063694534495.-2207520000 |
O IESDS foi à falência antes mesmo
de completar um ano de existência. No entanto, os mergulhadores diplomados por
ele resolveram fundar duas organizações. Uma foi a Sociedade Brasileira de
Estudos e Pesquisas Subaquáticas (SBEPS), de caráter científico, que durou de
1976 a janeiro de 1981. A sociedade teve a presidência de Alfredo F. Costa
Ferreira e esteve inscrita, por essa época, no Comitê Científico da
Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas. A outra, de natureza técnica, denominada
Associação Bandeirantes do Mar e composta por Álvaro Vilar Moreira, Ricardo
Hering e Marcelo Portela, foi a responsável pelo crescimento do mergulho
autônomo no estado de São Paulo. Álvaro Vilar Moreira é considerado o precursor
do ensino moderno de mergulho autônomo no país.
Outra iniciativa para desenvolver as
atividades subaquáticas foi a criação do Projeto Acqua, em São Paulo. O projeto
tinha, à frente, Claudio Guardabassi, um de seus fundadores e destaque do
mergulho autônomo no Brasil. O objetivo era oferecer de forma integral, em um
mesmo local, um amplo conjunto de ações: cursos, palestras, atividades
esportivas e equipamentos.
No final da década de 1970, a
difusão entrelaçada da caça submarina e do mergulho autônomo, que ocorrera por
décadas, finalmente se desfez com a expansão dos métodos de ensino certificados
por agências norte-americanas. A diferenciação entre as atividades era efetiva
e marcante.
Essa separação se tornava uma realidade em virtude
de a caça ou pesca submarina ser um esporte essencialmente feito em apneia,
enquanto o mergulho autônomo, uma atividade empreendida com aparelho de
respiração submersa acoplado ao praticante. É exatamente nesse ponto que reside
a diferença fundamental, pois o mergulho favorece um tempo maior de permanência
no fundo do mar, além de facilitar um abate mais rápido e em maior número de
peixes.
Como lazer, a prática do mergulho autônomo começou
a crescer principalmente com a chegada das escolas de mergulho norte-americanas
certificadoras internacionais, de métodos de ensino e da formação de
instrutores no Brasil.
| Figura 7. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-irreconhecivel-explorando-ruinas-subaquaticas-4961026/ |
A popularidade do esporte ganhou novo impulso a
partir da presença de Jacques Cousteau no Brasil, na década de 1980. Imagens
televisivas do seu mergulho ao lado de botos-cor-de-rosa, no Rio Amazonas,
percorriam o mundo.
O esporte também cresceu com a entrada de
instituições certificadoras de métodos de ensino de mergulho autônomo no
mercado brasileiro, como SSI, PDIC, ADS, CMAS, Padi e Naui.
As duas últimas instituições são as mais
tradicionais, reconhecidas e aceitas na área. Essas empresas apareceram e estabeleceram
a regulamentação da prática da atividade. Reconheciam os cursos de mergulho no
Brasil por volta dos anos 1980, garantiam sua validade, certificavam sua
qualidade e competiam com escolas e empresas de turismo já estabelecidas no
mercado nacional.
O esporte também ganhava mais visibilidade com a
criação de periódicos especializados, entre eles a revista Mergulhar, no
início dos anos 1980. Uma das poucas e exclusivas publicações no mundo sobre
mergulho autônomo e suas aplicações, a revista distinguia com bastante clareza as
atividades de mergulho e caça submarina.
A regulamentação da legislação
brasileira sobre o mergulho autônomo como atividade profissional trazia maior
segurança à atividade. Enquanto isso, a prática do mergulho amador livre e
scuba (cilindro), como lazer, somente foi normatizada no final da década de
1990.
A falta de regulamentação sobre o mergulho
autônomo amador (esportivo) perdurou por anos, bem como de acordos e leis de
convenções internacionais. No entanto, existiam alguns organismos com
características internacionais e suas regulamentações próprias, seguidas pelos
respectivos membros filiados.
Essa realidade, porém, começaria a mudar no Brasil,
no mergulho autônomo livre e scuba, consideradas atividades recreativas e
contemplativas.
Uma maior relação entre as atividades de mergulho
e turismo fortalecia a necessidade de se elaborar um ordenamento normativo e
regulador de ações de instrução, treinamento, condução e segurança conforme
padrões internacionais.
As primeiras normas sobre o assunto, até então
inexistentes no Brasil, apareciam, enfim, a partir de 2008. Elas foram adaptadas
de entidades internacionais, como o Conselho Mundial de Treinamento de Mergulho
Recreativo (WRSTC). Também houve procedimentos e orientações extraídos do Roteiro
Metodológico para Manejo de Impactos de Visitantes, do Ministério do
Turismo, e propostas de implantação e adequação de regras e regulamentos de
órgãos como ICMBio, ABNT NBR/ISO e operadoras de turismo, como a Abeta.
| Figura 8. Fonte: https://www.facebook.com/PANDPMergulho |
Em 2020, aparecem normatizações de procedimentos
para as novas Unidades de Conservação (UC), como Parque Nacionais Marinhos, com
regras específicas para os tipos de mergulho, incluindo os noturnos.
O mergulho autônomo livre e scuba, operado por
entidades ligadas ao ecoturismo e turismo de aventura com fins de lazer, cresceu
no Brasil impulsionado por serviços de qualidade, excelência, sustentabilidade
e segurança.
O mergulho autônomo cresceu, durante
décadas, como atividade de caráter esportivo, natureza contemplativa,
recreativa e exploratória, inter-relacionada ao turismo.
| Figura 9. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10219375583734694 |
A oferta do mergulho autônomo no Brasil expandiu-se
voltada à exploração da natureza marinha ao longo de 8.500 km de uma costa de
dimensões continentais.
A viabilidade do mergulho se sustenta como uma das
atividades recreativas mais oferecidas, conhecidas e requeridas – sob o nome de
turismo de mergulho – no campo do turismo ecológico e de aventura.
A exploração do mergulho autônomo no Brasil
apresenta um potencial turístico imensurável como atividade de lazer.
Alinhados, o mergulho autônomo e o turismo servem
para:
· mostrar
locais exclusivos para exploração, contemplação e observação subaquática das
nossas riquezas – flora e fauna – a serem preservadas;
· promover
o retorno do ser humano à natureza;
· informar
os turistas sobre as nossas belezas naturais;
· estabelecer
e potencializar novos negócios (viagens, hotelaria, alimentação, compra de
equipamentos e vestuário apropriados, entre outros);
· promover
empregos, infraestrutura, circulação de moedas estrangeiras e pagamento de
impostos;
· impulsionar
a oferta de prestação de serviços por empresas privadas direcionadas ao turismo,
expandindo a programação de viagens e realimentando uma cadeia produtiva
integrada por agências de viagens, escolas de mergulho, eventos de natureza
esportiva, certificação de cursos, aluguel de equipamentos, instrução, guia e transporte
de equipamentos e praticantes por meio de barcos;
· estimular
a descoberta de novos locais de mergulho e liberação dessas áreas, bem como a
grande quantidade daquelas a serem visitadas (naufrágios, cavernas), a fim de
atrair pessoas e viagens.
Tudo isso tende a fortalecer a relação entre o mergulho
autônomo e o turismo, realimentando um ciclo virtuoso que promove
conscientização em defesa da natureza e geração de receita para proteção
ambiental.
É extensa a quantidade de destinos turísticos
esportivos promovendo serviços de mergulho autônomo como lazer pelo Brasil. Entre
alguns deles, encontram-se Fernando de Noronha (PE), Laje de Santos (SP), Ilha
do Arvoredo (SC), Bonito (MS), Recife (PE), Angra dos Reis (RJ), Arraial do
Cabo (RJ), Guarapari (ES), Serigado de Fora (RN) e Abrolhos (BA).
| Figura 10. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/mergulho/ |
Como é o esporte?
O mergulho pode-se dividir em duas modalidades
básicas: mergulho livre e mergulho autônomo. Eles
se subdividem em várias modalidades!
O mergulho livre é uma atividade de caráter
esportivo desenvolvida em águas confinadas, interiores ou abertas, de forma
competitiva ou não.
O mergulho livre, se subdivide em duas categorias: apneia e snorkelingou. Na apneia, o mergulhador não usa equipamentos para respiração subaquática. O praticante faz a suspensão temporária da respiração. E, no chamado snorkeling, se utiliza somente flutuação e um tubo.
O snorkeling é um tipo de mergulho de
flutuação em que se utilizam um par de nadadeiras, uma máscara e um snorkel
(tubo que permite respirar enquanto se olha para debaixo d´água). O objetivo é nadar
e dar curtos mergulhos em apneia, em baixas profundidades (piscinas naturais em
rios, lagos, cavernas e mares).
No mergulho livre em apneia, o praticante depende
exclusivamente de capacidade pulmonar, preparação física e técnica, bem como
controle mental e emocional. Nesse tipo de mergulho, ocorrem competições de
diferentes esportes (apneia e outras modalidades subaquáticas, como tiro sub,
hóquei sub, foto sub, natação sub e torpedo sub).
Utiliza-se esse tipo de atividade para se observar
a vida subaquática e filmar. Conhecidas como mergulho de contemplação e foto
subaquática, essas atividades também são consideradas práticas esportivas.
O mergulho livre de lazer emprega equipamentos que
são mais fáceis de encontrar e mais baratos. Seus locais de prática são,
normalmente, mais próximos da costa.
No mergulho autônomo, há o auxílio de
equipamentos que permitem respirar debaixo d’água. Eles são acoplados ao
praticante e independentes de ligação de suprimento de ar com o mundo exterior.
Essa modalidade, que é muito usada como lazer,
emprega o equipamento scuba (aparelho autônomo de respiração subaquática).
Esse equipamento é basicamente constituído de reservatório (cilindro) de
mistura de respiração (normalmente ar) e de um dispositivo de fornecimento e
redução de ar (válvula reguladora, ou, simplesmente, regulador). Além disso,
completam o scuba: o profundímetro (medidor de profundidade), o manômetro
(medidor da pressão do ar do cilindro) e o colete equilibrador. Todos são acoplados
ao cilindro.
No mergulho dependente, ou semiautônomo,
o suprimento de ar não é levado pelo próprio mergulhador, mas provido a
partir da superfície.
Outros tipos de mergulho autônomo
incluem o técnico, o profissional, o comercial e o militar.
Uma estreita relação entre o mergulho autônomo e o
turismo se consolidou no Brasil favorecida pela exploração comercial da
natureza exuberante do país. A atividade requer equipamentos especiais e pouco
acessíveis financeiramente.
Os mergulhos autônomos do tipo técnico são
bastante utilizados no turismo realizado em cavernas e naufrágios. Para isso, emprega-se
aparelho de suprimento de ar.
Existem várias finalidades para esses tipos de
mergulho. Elas vão desde a contemplação (lazer) e a exploração científica de
riqueza naturais até a observação de embarcações naufragadas, cavernas, fauna e
flora marinhas (peixes, crustáceos, ostras, algas, medusas, corais, etc.).
O mergulho autônomo recreativo tem limites
bastante claros e regulados por normas internacionais. A profundidade máxima que
se pode atingir é de 40 metros. Para iniciantes, o limite recomendado é de 18
metros. À medida que o mergulhador ganha experiência ou busca treinamento
adicional, esse limite pode-se estender para 30 metros.
Os limites de profundidade são estabelecidos por
normas de segurança conforme o risco de acidentes. Por exemplo, com o aumento
da profundidade, o ar passa a ter características de gás anestésico, reduzindo
nossos reflexos e nossa capacidade de raciocínio.
A segurança deve ser a principal prioridade na
prática do mergulho autônomo. Deve ser feita
por duas ou um grupo de pessoas, com barco de apoio, guias/instrutores,
equipamentos de primeiros socorros e de comunicação com base em terra firme.
| Figura 11. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10219375583734694 |
Vamos contar algo mais para você!
A Confederação Brasileira de Pesca e Desportos
Subaquáticos (CBPDS) é a entidade nacional máxima do esporte.
A Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas
(CMAS) é a entidade máxima do esporte no mundo.
A Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo
e Turismo de Aventura (Abeta). Essa entidade reúne em rede empresas que atuam
com Ecoturismo e Turismo de Aventura de forma profissional, sustentável e
inovadora por todo país. A ABETA atua comprometidas com o profissionalismo, a
diversão segura, a preservação ambiental e o prazer da descoberta da vida
ao ar livre.
A década de 1950 foi marcada pela chegada do
italiano Arduino Colasanti ao Brasil. Jovem de grande carisma, Colasanti foi um
dos pioneiros e grandes nomes do mergulho autônomo, da caça submarina e do surfe
no país. Destacou-se na Praia do Arpoador (RJ) e integrou a equipe brasileira
de caça submarina nos Mundiais de Malta (1958) e Almeria (1959), competindo até
1961.
O mergulhador utilizou equipamento emprestado para
fisgar uma garoupa entocada nas Ilhas Maricás em seu primeiro mergulho com
cilindro usando válvula de regulagem de ar.
O primeiro trabalho comercial de mergulho no
Brasil contou com a participação de Arruíno, que se utilizou de equipamento leve (máscara e nadadeiras) de 1960 até 1987. Ele ainda
foi mergulhador profissional, professor e ator de dezenas de filmes.
| Figura 12: Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1499755655526190 |
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