Mergulho Livre e Autônomo: de prática aventureira a treinada e segura para os mais diversos fins!

 

Figura 1. Fonte: https://www.ceubrasil.org.br/mergulho-autonomo/os-17-melhores-lugares-para-mergulhar-no-brasil

Por Fernando Garrido

Mergulho Livre e Autônomo: atividade esportiva de competição, lazer, preservação ambiental, exploração e contemplação!

 

Quando o mergulho apareceu no país?

         A exploração do fundo do mar pela escafandria no Brasil teve início na busca por tesouros, trazendo fama e riqueza àqueles que os encontravam.

Um dos primeiros aventureiros a realizar tal proeza foi Knivet, um viajante andarilho holandês que explorou, pela primeira vez, o fundo do mar no Brasil.

Essa façanha aconteceu no Rio de Janeiro, onde desembarcou em 1535. Ao mergulhar, ele utilizou uma vestimenta de couro untada com sebo hebreu para impermeabilizá-la. O traje era encimado por um grande capuz cheio de ar que lhe permitia respirar quando submerso.

Knivet buscava recuperar canhões de um forte na Baía de Guanabara arrastados ao fundo do mar por tempestade. Caberia a ele, por esse feito, a recompensa de 10.000 coroas de ouro, oferecida por Salvador Corrêa de Sá, governador da capitania do Rio de Janeiro.

A tentativa, embora tenha sido um fracasso total, valeu-lhe o registro da primeira experiência efetivada no país. Na Europa, Guglielmo de Lorena já efetuava as primeiras experimentações com um “sino de mergulho”.

            Em meados do século 19, na operação de salvatagem da fragata inglesa Thetis, naufragada na Ilha do Cabo, em Cabo Frio (RJ), foi utilizado o sino de Halley, montado no Rio de Janeiro por um oficial inglês.

            Entre o final do século 19 e início do 20, começaram a aparecer os mergulhadores de salvamento, em sua maioria de nacionalidade grega, que, com seus escafandros e bombas manuais, exploravam nossas costas.

            Na segunda década do século 20, foi a vez de o crescimento do garimpo no Brasil contribuir para o desenvolvimento do mergulho autônomo no país, impulsionado pelas demandas crescentes da atividade extrativa.

Figura 2. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/agencia-ygarape/

Para isso, foi fundamental a participação de Luiz Charles Person, imigrante francês que respondeu pelos primeiros avanços da exploração subaquática no Brasil. Profundo conhecedor dos assuntos sobre mergulho autônomo, adquiridos em sua terra natal, fundou, em São Paulo, a primeira fábrica de escafandros clássicos do país.

            Inicialmente, a fábrica se dedicou à produção de um equipamento exclusivo para operar na extração do ouro dos rios brasileiros. O produto se chamava Paulistinha, escafandro que possuía apenas o capacete ligado a um espaldar que se apoiava nas costas do mergulhador. Era manualmente abastecido de ar por uma mangueira alimentada por uma bomba situada na superfície.

            O enorme sucesso alcançado pelo equipamento levou-o a ser quase exclusivamente empregado por aqueles que se dedicavam ao garimpo. Tanto o escafandro como a bomba de ar foram patenteados por Person, encorajando-o a partir para um novo modelo de escafandro clássico marítimo voltado para trabalhos pesados sob a água. Esse, por sua vez, foi registrado com o nome de Paulista, enquanto a bomba fornecedora de ar a alta pressão, batizada de Sopra-Fogo.

             O mergulho amador (esportivo) no Brasil começou com o fim da 2ª Guerra Mundial, quando entusiastas e pilotos da Panair do Brasil trouxeram da Europa os primeiros equipamentos de caça submarina.

            A essa altura, o mergulho autônomo tinha o seu desenvolvimento concentrado nas ações estabelecidas pela Marinha do Brasil (MB). A MB foi a primeira instituição a realizar um curso técnico profissional de mergulho autônomo e a única a executar serviços relacionados à área durante anos. Essa atividade se desenvolveu principalmente em função de treinamento de combate, de operações de salvamento e de desativação de artefatos explosivos.


Figura 3. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/atlantis-divers/

            No mundo, o mergulho autônomo desenvolvia-se no final da década de 1940 com o pioneirismo de Emile Gagnan e de Jacques-Yves Cousteau, repercutindo por aqui.

Gagnan e Cousteau foram os criadores do equipamento de cilindro de ar, o que trouxe nova configuração para o desenvolvimento de outras atividades com possibilidade de deslocamentos natatórios e respiração submersa no fundo do mar. O equipamento, conhecido por Aqua Lung, teve ampla difusão e foi comercializado mundialmente.

A partir da década de 1950, as telas do cinema ajudaram sobremaneira a expandir as imagens do mergulho autônomo. Filmes de Hollywood geravam visibilidade para a possibilidade de se respirar embaixo d’água. As telas chamavam a atenção para o esporte e as riquezas existentes no mar, ampliando a perspectiva de novas atividades de lazer.

Crescia a prática do mergulho feita exclusivamente pelo prazer de observar a flora, a fauna, a geologia e a arqueologia submarinas e de interagir com elas.

A prática do mergulho subaquático deixou de ser exclusividade de inventores, militares e profissionais, tornando-se acessível ao público em geral.

A partir desse momento, o mundo subaquático, antes pouquíssimo explorado e amplamente misterioso, revelou-se a partir de fotografias e vídeos. Surgiriam o mergulho de contemplação e a foto subaquática.

Um dos grandes ícones dessa mudança foi Jacques Cousteau, precursor e produtor de filmes de mergulho de repercussão mundial. O filme O Mundo Silencioso, de 1956, chegou a ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, e três outros filmes do diretor ganharam o Oscar, segundo a IMDB de 2015.

Além dos avanços tecnológicos, a divulgação de imagens submarinas pela intensa produção de filmes, após meados do século 20, influenciou significativamente a demanda pelo mergulho autônomo como lazer. Entre as películas estão: Homens Rãs (1951), Rochedos da Morte (1953), 20.000 Léguas Submarinas (1954), 007 Contra a Chantagem Atômica (1965), 007 Contra Octopussy (1983), Imensidão Azul (1988), A Pequena Sereia (1989), O Segredo do Abismo (1989) e Procurando Nemo (2003).


Figura 4. Fonte: https://abeta.tur.br/associado/lagoa-misteriosa

 

Quando o esporte começou por aqui?

            No início da década de 1950, apareciam no Brasil os primeiros fotógrafos submarinos, entre os quais se destacaram Américo (Emérico) Samassa Mayer, que publicou livros, e Luís Fausto, que editou a revista de mergulho Anequin.

            A vinda de Gigi Del Maschio, antigo mergulhador de combate da Marinha Italiana, foi fundamental para o desenvolvimento do mergulho autônomo no país. Del Maschio, um grande conhecedor dos segredos do mergulho militar e de ações submarinas, estabeleceu-se em São Paulo, onde fundou a primeira fábrica de escafandros autônomos da América do Sul, em 1955.

A difusão do esporte foi favorecida pelo surgimento de novas tecnologias na fabricação de equipamentos, estimulando o envolvimento das pessoas com a prática do mergulho autônomo sob fins esportivos e, principalmente, como lazer.

          A produção industrial dos equipamentos de mergulho autônomo crescia com a fabricação de cilindros de aço, válvulas reguladoras de ar e de material sobressalente, o que favoreceu o desenvolvimento do mergulho autônomo e da caça subaquática. O pioneirismo e o nome Atlântida, de um fabricante, marcavam grande época no cenário nacional.

No final dos anos 50, iniciou-se o mergulho profissional com uso de equipamentos mais modernos. Nadadeiras, máscaras, válvulas reguladoras, entre outros, favoreciam o emprego da atividade como apoio à prospecção de petróleo, área em os brasileiros se notabilizam por trabalhar em altas profundidades (até 300 metros).

Os primeiros cursos de caça submarina começaram a ser realizados na Associação Cristã de Moços (ACM), no estado de São Paulo, em 1958. No curso eram oferecidas, também, noções de escafandria. Nesse mesmo ano, surgiram os primeiros eventos internacionais com a presença de representantes brasileiros.

No final de 1950 e início de 1960, Américo Santarelli e Bruno Hermany começaram a ministrar os primeiros cursos de mergulho no Rio de Janeiro, no Iate Clube Brasileiro.

            Nas décadas de 1950 e 1960, os portugueses Antônio e Eduardo criaram a primeira espingarda de ar comprimido de caça submarina fabricada no Brasil, que ficou conhecida por Orca. A loja Eletrovelocidade, de Ipanema (RJ), de propriedade dos dois, adquiriu fama e se tornou ponto de encontro dos praticantes do esporte.

            Em 1965, Santarelli começou a fabricar uma linha completa de equipamentos no país. Surgia, ainda, outra espingarda de ar comprimido, denominada Cobra, criada por Américo e Eduardo.

Figura 5. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/profundo-33362145/

Resultados expressivos começaram a aparecer em competições nacionais e internacionais em 1969. O primeiro deles foi de Santarelli, que se tornou recordista mundial de mergulho livre (apneia) ao atingir a marca de profundidade de 43 metros, na Ilha Rasa (RJ). Santarelli ainda atingiria as marcas de 44 metros, no Cabo Circeo, próximo a Roma (Itália), no verão de 1960, e de 46 metros, no ano seguinte, em Porto Fino (Itália).

A presença de brasileiros se intensificava em cursos de mergulho autônomo no exterior. Também vinham de lá equipamentos trazidos por pilotos de companhias áreas nas décadas de 1960 e 1970.

Com a reaparição da empresa Atlântida no cenário nacional, houve a retomada da fabricação de escafandros. A produção contava com o conhecimento de Álvaro Vilar Moreira, o lançamento de novos reguladores de ar e escafandro com torneira mais moderna. Em 1980, a empresa lançou uma nova linha de escafandros e o manômetro de alta pressão, acoplável ao regulador de ar.

A maior oferta de cursos básicos e de aperfeiçoamento e a criação de escolas de mergulho pelo país se tornaram fatores que efetivamente promoveram o desenvolvimento dos esportes no Brasil.

            No início da década de 1970, na Associação Cristã de Moços (ACM) do Rio de Janeiro, realizavam regularmente cursos de mergulho autônomo ministrados por João Carlos Silva – o “Tatalo”. No final da década, surgiram os cursos orientados por Sergio Costa.

            As primeiras entidades comerciais a oferecer serviços e produtos como cursos próprios de mergulho surgiam em São Paulo, promovendo o aumento da competição em busca de clientes.

Uma das primeiras empresas a entrar no mercado com cursos de mergulho autônomo foi a Dallo Sub, de Júlio Llorente e João Daher Filho. Os dois receberam incentivo do japonês Morita e do brasileiro Pedro Kuramoto, ambos instrutores. Os cursos eram fundamentados no método de ensino da Associação Profissional de Instrutores de Mergulho (Padi), organização norte-americana criada em 1966 e uma das primeiras a certificar o mergulho autônomo no mundo, que chegava por aqui.

           Os cursos, que eram ministrados por Morita e Kuramoto, se tornaram a grande novidade em São Paulo. Ambos chegaram a lecionar no Instituto Oceanográfico da Universidade da USP. Nas sessões de mar, eles intercalavam caçadas e mergulhos com aparelhos autônomos.

      A falta de currículo e certificados e a não concretização de projetos, contudo, inviabilizaram a sobrevivência do curso. Uma solução encontrada foi a criação do Instituto de Exploração Subaquática Dallo Sub (IESDS), de Júlio Llorente Neto, João Daher Filho, Raul Cutait e Álvaro Vilar Moreira.

Figura 6. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1659808879485581&set=pb.100063694534495.-2207520000

            O IESDS foi à falência antes mesmo de completar um ano de existência. No entanto, os mergulhadores diplomados por ele resolveram fundar duas organizações. Uma foi a Sociedade Brasileira de Estudos e Pesquisas Subaquáticas (SBEPS), de caráter científico, que durou de 1976 a janeiro de 1981. A sociedade teve a presidência de Alfredo F. Costa Ferreira e esteve inscrita, por essa época, no Comitê Científico da Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas. A outra, de natureza técnica, denominada Associação Bandeirantes do Mar e composta por Álvaro Vilar Moreira, Ricardo Hering e Marcelo Portela, foi a responsável pelo crescimento do mergulho autônomo no estado de São Paulo. Álvaro Vilar Moreira é considerado o precursor do ensino moderno de mergulho autônomo no país.

            Outra iniciativa para desenvolver as atividades subaquáticas foi a criação do Projeto Acqua, em São Paulo. O projeto tinha, à frente, Claudio Guardabassi, um de seus fundadores e destaque do mergulho autônomo no Brasil. O objetivo era oferecer de forma integral, em um mesmo local, um amplo conjunto de ações: cursos, palestras, atividades esportivas e equipamentos.

            No final da década de 1970, a difusão entrelaçada da caça submarina e do mergulho autônomo, que ocorrera por décadas, finalmente se desfez com a expansão dos métodos de ensino certificados por agências norte-americanas. A diferenciação entre as atividades era efetiva e marcante.

Essa separação se tornava uma realidade em virtude de a caça ou pesca submarina ser um esporte essencialmente feito em apneia, enquanto o mergulho autônomo, uma atividade empreendida com aparelho de respiração submersa acoplado ao praticante. É exatamente nesse ponto que reside a diferença fundamental, pois o mergulho favorece um tempo maior de permanência no fundo do mar, além de facilitar um abate mais rápido e em maior número de peixes.

Como lazer, a prática do mergulho autônomo começou a crescer principalmente com a chegada das escolas de mergulho norte-americanas certificadoras internacionais, de métodos de ensino e da formação de instrutores no Brasil.

Figura 7. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-irreconhecivel-explorando-ruinas-subaquaticas-4961026/

A popularidade do esporte ganhou novo impulso a partir da presença de Jacques Cousteau no Brasil, na década de 1980. Imagens televisivas do seu mergulho ao lado de botos-cor-de-rosa, no Rio Amazonas, percorriam o mundo.

O esporte também cresceu com a entrada de instituições certificadoras de métodos de ensino de mergulho autônomo no mercado brasileiro, como SSI, PDIC, ADS, CMAS, Padi e Naui.

As duas últimas instituições são as mais tradicionais, reconhecidas e aceitas na área. Essas empresas apareceram e estabeleceram a regulamentação da prática da atividade. Reconheciam os cursos de mergulho no Brasil por volta dos anos 1980, garantiam sua validade, certificavam sua qualidade e competiam com escolas e empresas de turismo já estabelecidas no mercado nacional.

O esporte também ganhava mais visibilidade com a criação de periódicos especializados, entre eles a revista Mergulhar, no início dos anos 1980. Uma das poucas e exclusivas publicações no mundo sobre mergulho autônomo e suas aplicações, a revista distinguia com bastante clareza as atividades de mergulho e caça submarina.

            A regulamentação da legislação brasileira sobre o mergulho autônomo como atividade profissional trazia maior segurança à atividade. Enquanto isso, a prática do mergulho amador livre e scuba (cilindro), como lazer, somente foi normatizada no final da década de 1990.

A falta de regulamentação sobre o mergulho autônomo amador (esportivo) perdurou por anos, bem como de acordos e leis de convenções internacionais. No entanto, existiam alguns organismos com características internacionais e suas regulamentações próprias, seguidas pelos respectivos membros filiados.

Essa realidade, porém, começaria a mudar no Brasil, no mergulho autônomo livre e scuba, consideradas atividades recreativas e contemplativas.

Uma maior relação entre as atividades de mergulho e turismo fortalecia a necessidade de se elaborar um ordenamento normativo e regulador de ações de instrução, treinamento, condução e segurança conforme padrões internacionais.

As primeiras normas sobre o assunto, até então inexistentes no Brasil, apareciam, enfim, a partir de 2008. Elas foram adaptadas de entidades internacionais, como o Conselho Mundial de Treinamento de Mergulho Recreativo (WRSTC). Também houve procedimentos e orientações extraídos do Roteiro Metodológico para Manejo de Impactos de Visitantes, do Ministério do Turismo, e propostas de implantação e adequação de regras e regulamentos de órgãos como ICMBio, ABNT NBR/ISO e operadoras de turismo, como a Abeta.

Figura 8. Fonte: https://www.facebook.com/PANDPMergulho

Em 2020, aparecem normatizações de procedimentos para as novas Unidades de Conservação (UC), como Parque Nacionais Marinhos, com regras específicas para os tipos de mergulho, incluindo os noturnos.

O mergulho autônomo livre e scuba, operado por entidades ligadas ao ecoturismo e turismo de aventura com fins de lazer, cresceu no Brasil impulsionado por serviços de qualidade, excelência, sustentabilidade e segurança.

            O mergulho autônomo cresceu, durante décadas, como atividade de caráter esportivo, natureza contemplativa, recreativa e exploratória, inter-relacionada ao turismo.

Figura 9. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10219375583734694

A oferta do mergulho autônomo no Brasil expandiu-se voltada à exploração da natureza marinha ao longo de 8.500 km de uma costa de dimensões continentais.

A viabilidade do mergulho se sustenta como uma das atividades recreativas mais oferecidas, conhecidas e requeridas – sob o nome de turismo de mergulho – no campo do turismo ecológico e de aventura.

A exploração do mergulho autônomo no Brasil apresenta um potencial turístico imensurável como atividade de lazer.

Alinhados, o mergulho autônomo e o turismo servem para:

·       mostrar locais exclusivos para exploração, contemplação e observação subaquática das nossas riquezas – flora e fauna – a serem preservadas;

·       promover o retorno do ser humano à natureza;

·       informar os turistas sobre as nossas belezas naturais;

·       estabelecer e potencializar novos negócios (viagens, hotelaria, alimentação, compra de equipamentos e vestuário apropriados, entre outros);

·       promover empregos, infraestrutura, circulação de moedas estrangeiras e pagamento de impostos;

·       impulsionar a oferta de prestação de serviços por empresas privadas direcionadas ao turismo, expandindo a programação de viagens e realimentando uma cadeia produtiva integrada por agências de viagens, escolas de mergulho, eventos de natureza esportiva, certificação de cursos, aluguel de equipamentos, instrução, guia e transporte de equipamentos e praticantes por meio de barcos;

·       estimular a descoberta de novos locais de mergulho e liberação dessas áreas, bem como a grande quantidade daquelas a serem visitadas (naufrágios, cavernas), a fim de atrair pessoas e viagens.

Tudo isso tende a fortalecer a relação entre o mergulho autônomo e o turismo, realimentando um ciclo virtuoso que promove conscientização em defesa da natureza e geração de receita para proteção ambiental.

É extensa a quantidade de destinos turísticos esportivos promovendo serviços de mergulho autônomo como lazer pelo Brasil. Entre alguns deles, encontram-se Fernando de Noronha (PE), Laje de Santos (SP), Ilha do Arvoredo (SC), Bonito (MS), Recife (PE), Angra dos Reis (RJ), Arraial do Cabo (RJ), Guarapari (ES), Serigado de Fora (RN) e Abrolhos (BA).

 

Figura 10. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/mergulho/

Como é o esporte?

O mergulho pode-se dividir em duas modalidades básicas: mergulho livre e mergulho autônomo. Eles se subdividem em várias modalidades!

O mergulho livre é uma atividade de caráter esportivo desenvolvida em águas confinadas, interiores ou abertas, de forma competitiva ou não.

            O mergulho livre, se subdivide em duas categorias: apneia e snorkelingou. Na  apneia, o mergulhador não usa equipamentos para respiração subaquática. O praticante faz a suspensão temporária da respiração. E, no chamado snorkeling, se utiliza somente flutuação e um tubo.

O snorkeling é um tipo de mergulho de flutuação em que se utilizam um par de nadadeiras, uma máscara e um snorkel (tubo que permite respirar enquanto se olha para debaixo d´água). O objetivo é nadar e dar curtos mergulhos em apneia, em baixas profundidades (piscinas naturais em rios, lagos, cavernas e mares).

No mergulho livre em apneia, o praticante depende exclusivamente de capacidade pulmonar, preparação física e técnica, bem como controle mental e emocional. Nesse tipo de mergulho, ocorrem competições de diferentes esportes (apneia e outras modalidades subaquáticas, como tiro sub, hóquei sub, foto sub, natação sub e torpedo sub).

Utiliza-se esse tipo de atividade para se observar a vida subaquática e filmar. Conhecidas como mergulho de contemplação e foto subaquática, essas atividades também são consideradas práticas esportivas.

O mergulho livre de lazer emprega equipamentos que são mais fáceis de encontrar e mais baratos. Seus locais de prática são, normalmente, mais próximos da costa.

No mergulho autônomo, há o auxílio de equipamentos que permitem respirar debaixo d’água. Eles são acoplados ao praticante e independentes de ligação de suprimento de ar com o mundo exterior.

Essa modalidade, que é muito usada como lazer, emprega o equipamento scuba (aparelho autônomo de respiração subaquática). Esse equipamento é basicamente constituído de reservatório (cilindro) de mistura de respiração (normalmente ar) e de um dispositivo de fornecimento e redução de ar (válvula reguladora, ou, simplesmente, regulador). Além disso, completam o scuba: o profundímetro (medidor de profundidade), o manômetro (medidor da pressão do ar do cilindro) e o colete equilibrador. Todos são acoplados ao cilindro.

No mergulho dependente, ou semiautônomo, o suprimento de ar não é levado pelo próprio mergulhador, mas provido a partir da superfície.

Outros tipos de mergulho autônomo incluem o técnico, o profissional, o comercial e o militar.

Uma estreita relação entre o mergulho autônomo e o turismo se consolidou no Brasil favorecida pela exploração comercial da natureza exuberante do país. A atividade requer equipamentos especiais e pouco acessíveis financeiramente.

Os mergulhos autônomos do tipo técnico são bastante utilizados no turismo realizado em cavernas e naufrágios. Para isso, emprega-se aparelho de suprimento de ar.

Existem várias finalidades para esses tipos de mergulho. Elas vão desde a contemplação (lazer) e a exploração científica de riqueza naturais até a observação de embarcações naufragadas, cavernas, fauna e flora marinhas (peixes, crustáceos, ostras, algas, medusas, corais, etc.).

O mergulho autônomo recreativo tem limites bastante claros e regulados por normas internacionais. A profundidade máxima que se pode atingir é de 40 metros. Para iniciantes, o limite recomendado é de 18 metros. À medida que o mergulhador ganha experiência ou busca treinamento adicional, esse limite pode-se estender para 30 metros.

Os limites de profundidade são estabelecidos por normas de segurança conforme o risco de acidentes. Por exemplo, com o aumento da profundidade, o ar passa a ter características de gás anestésico, reduzindo nossos reflexos e nossa capacidade de raciocínio.

A segurança deve ser a principal prioridade na prática do mergulho autônomo.  Deve ser feita por duas ou um grupo de pessoas, com barco de apoio, guias/instrutores, equipamentos de primeiros socorros e de comunicação com base em terra firme.

           

Figura 11. Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10219375583734694

Vamos contar algo mais para você!

A Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS) é a entidade nacional máxima do esporte.

A Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas (CMAS) é a entidade máxima do esporte no mundo.

A Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). Essa entidade reúne em rede empresas que atuam com Ecoturismo e Turismo de Aventura de forma profissional, sustentável e inovadora por todo país. A ABETA atua comprometidas com o profissionalismo, a diversão segura, a preservação ambiental e o prazer da descoberta da vida ao ar livre.

A década de 1950 foi marcada pela chegada do italiano Arduino Colasanti ao Brasil. Jovem de grande carisma, Colasanti foi um dos pioneiros e grandes nomes do mergulho autônomo, da caça submarina e do surfe no país. Destacou-se na Praia do Arpoador (RJ) e integrou a equipe brasileira de caça submarina nos Mundiais de Malta (1958) e Almeria (1959), competindo até 1961.

O mergulhador utilizou equipamento emprestado para fisgar uma garoupa entocada nas Ilhas Maricás em seu primeiro mergulho com cilindro usando válvula de regulagem de ar.

O primeiro trabalho comercial de mergulho no Brasil contou com a participação de Arruíno, que  se utilizou de equipamento leve (máscara e nadadeiras) de 1960 até 1987. Ele ainda foi mergulhador profissional, professor e ator de dezenas de filmes.

 

Figura 12: Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1499755655526190

Referências Bibliográficas

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Figura 13. Fonte: acebook.com/photo/?fbid=1455605199941236&set=pb.100064753084318.-2207520000









































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